05 de julho de 2026
POLÍCIA

Delegado registra BO ao ser citado em suposta cobrança de propina

da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Roberto Navarro/Alesp
O delegado Fábio Pinheiro Lopes, diretor do Dope (Departamento de Operações Policiais Estratégicas) da Polícia Civil de São Paulo

O delegado Fábio Pinheiro Lopes, diretor do Dope (Departamento de Operações Policiais Estratégicas) da Polícia Civil de São Paulo, registrou boletim de ocorrência nesta sexta-feira (3) após ser avisado de que seu nome teria sido citado em uma conversa interceptada pela Polícia Federal. O diálogo envolve uma suposta cobrança de propina de R$ 100 mil.

Conforme registro policial, Lopes afirma ter sido procurado por um jornalista do portal G1, que o alertou sobre uma suposta conversa mantida em 24 de maio de 2024 entre Victor Henrique de Oliveira Shimada e o advogado Romany Cutolo Bonente.

O trecho atribuído ao advogado, identificado na investigação como "Roma", foi extraído do celular de Shimada. Ele é apontado pela PF como suspeito de integrar a organização investigada e alvo de sanções do governo dos EUA por suposta ligação com o PCC.

"Eu tenho que mandar R$ 100 mil pro Fabio Caipira do Deic, entendeu? Eu tenho que mandar e ponto, acabou", diz Bonente no áudio, segundo a reportagem do G1, que reproduz transcrição existente na decisão judicial que autorizou a Operação Exchange, deflagrada nesta sexta-feira (3) contra Shimada.

Lopes, que era diretor do Deic em 2024, afirmou no boletim que não conhece os envolvidos e que nunca manteve relação pessoal ou profissional com eles. Também disse que jamais solicitou ou recebeu qualquer quantia das pessoas citadas e que elas nunca foram investigadas por ele.

"Nunca ouvi falar desse advogado na minha vida. Além disso, nem eu, nem minha equipe investigamos qualquer fato relacionado a esse Shimada", disse o delegado à Folha.

O advogado Bonente ainda não foi localizado pela reportagem. A reportagem enviou mensagens para celular apontado como sendo dele e, também, para endereços de email registro no nome do defensor.

O delegado deixou o Deic no final de 2024 após a divulgação de trechos da delação do empresário Antônio Vinicius Gritzbach, que foi morto a tiros no aeroporto de Guarulhos.

Gritzbach afirmou em delação que um advogado conhecido como Ramses propôs um acordo para beneficiá-lo em investigações do Deic. Lopes faria parte desse esquema, segundo o relator, o que o delegado nega.

O boletim foi registrado no 14º DP de Pinheiros, na zona oeste de capital, como ocorrência de autoria conhecida. O documento cita que o delegado pode ter sido alvo de calúnia, difamação e tráfico de influência.

No histórico do BO, Lopes afirma que seu nome foi usado indevidamente "no contexto de conduta em tese criminosa", possivelmente para obtenção de vantagem ilícita por parte do advogado. O próprio registro aponta que esse ponto deverá ser apurado em outro procedimento investigatório.

Ainda segundo o boletim, o delegado relatou ter feito pesquisas sobre antecedentes atribuídos ao advogado e afirmou que Bonente foi condenado a dois anos de reclusão por furto no Paraná, além de registrar passagens por estelionato e extorsão. Essa informação consta como declaração da vítima no BO.

Ao final do registro, Lopes manifestou desejo de representar criminalmente contra Bonente para que ele responda a inquérito policial e seja processado.