A Sabesp, empresa de saneamento paulista, obteve autorização para captar mais água do sistema que abastece parte do Rio de Janeiro para reforçar o reservatório do Cantareira, uma das principais fontes de abastecimento da capital e de sua região metropolitana.
Solicitada diante da persistência das condições de estiagem durante o período de seca, a permissão foi concedida em caráter temporário e excepcional, segundo a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico).
A água do rio Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, chega ao Cantareira por meio da represa de Atibainha, uma das que compõem o sistema, com Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Paiva Castro e Águas Claras.
Em nota, a companhia informou que a medida é prevista nas regras de operação do Cantareira e integra os mecanismos de gestão previstos em contrato. "A medida faz parte da estratégia permanente da companhia para ampliar a segurança hídrica da região metropolitana de São Paulo", diz trecho da nota.
Com a autorização, o volume anual máximo de água passível de transposição da usina Jaguari para o reservatório Atibainha em 2026 passa de 162 hm³ (hectômetros cúbicos, ou 162 bilhões de litros) para até 268,28 hm³, alta de 66%. A medida vale até 31 de dezembro.
Segundo a ANA, a ampliação temporária da cota de transposição já havia sido adotada em 2021 e 2025, diante da persistência das condições de estiagem.
O Cantareira opera nesta segunda-feira (29) com 39,9% de sua capacidade. Em 29 de junho do ano passado, era de 47,54%.
De acordo com a ANA e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas), o sistema opera em estado de atenção, quando a capacidade de armazenamento baixa fica entre 40% e 60% do reservatório.
Como houve redução nesta segunda, é esperado que os órgãos estabeleçam as regras do nível de alerta, quando os percentuais oscilam entre 30% e 40%.
Toda a cadeia de abastecimento, que inclui o Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço, tem, atualmente, 52,5% do volume reservado.
Neste ano, as autoridades trabalham com a possibilidade de atraso no início da estação chuvosa, que normalmente tem início em outubro, devido à chegada do El Niño.
O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou neste mês que o Cantareira será uma espécie de novo gatilho para que a gestão adote medidas mais rigorosas para economizar água.
Caso o nível do Cantareira fique proporcionalmente abaixo dos demais, a redução de pressão do bombeamento noturno poderá durar mais horas. Atualmente, a redução de pressão é aplicada por dez horas durante a noite.
Considerando também ações de prevenção a enchentes, como a construção de piscinões e desassoreamentos de rios importantes como o Tietê, o Governo de São Paulo também diz ter investido R$ 25 bilhões no seu plano de resiliência hídrica.