A cidade de São Paulo registrou um volume de chuvas três vezes maior do que o esperado pelos meteorologistas para o mês de junho.
Até esta sexta-feira (26), o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) marcou 150,1 milímetros de chuva na capital paulista.
O volume é três vezes maior que os 49 mm esperados para junho, um mês costumeiramente mais seco na cidade. O cenário, no entanto, não alterou o volume dos principais reservatórios que abastecem a região metropolitana e demais cidades do estado.
Para calcular essa expectativa, o Inmet considera o volume de precipitações desde 1991, início da série histórica.
Em junho do ano passado, por exemplo, o órgão registrou 72,8 milímetros, um pouco menos do que a metade do que neste mês. Em 2024, São Paulo teve o mês de junho mais seco dos últimos dez anos. Não choveu nada.
Segundo Wendell Fialho, meteorologista do Inmet, as chuvas acima da média são explicadas por três fatores principais.
"Houve um prolongamento da estação chuvosa em São Paulo, que costuma durar até o mês de abril, e o retardo do período mais seco. A tendência é diminuir o volume a partir de agosto", diz.
O volume maior de chuva em São Paulo dificultou a floração do ipê-roxo, segundo especialistas.
O meteorologista cita também a influência de três frentes frias seguidas e a umidade atmosférica acima do comum em altitudes maiores.
"Há uma influência grande da umidade acima do 5 mil metros de altura. Esses fatores ajudam a explicar a chuva maior, mas não é algo fora do comum ou extremo. São condições que podem acontecer a depender do ano", diz Fialho.
A condição de chuva mais frequente em junho não causou, contudo, uma melhora nos índices de abastecimento dos reservatórios de água do estado de São Paulo.
Em comparação ao ano passado, os principais sistemas tiveram uma estabilidade nos índices de armazenamento.
Nesta sexta-feira, o Sistema Integrado Metropolitano, que reúne os sete reservatórios, tinha 52,4% de volume de água. Na mesma data do ano passado, ele tinha 52,3%.
Já o sistema Cantareira tinha 39,9% nesta sexta. Em 26 de junho do ano passado, eram 48,2%.
Ao longo do último mês, também não houve efeito sobre o nível dos reservatórios. O sistema integrado marcava 52,8% no dia 26 de maio, o que pouco se alterou durante os 30 dias seguintes. No Cantareira, houve queda no período, já que no fim de maio o registro apontava 40,8%.
Diferentes fatores explicam a situação. Especialistas têm ressaltado que é necessário um padrão de chuva consistente para afetar significativamente os mananciais.
Além disso, como os sistemas não estão primordialmente localizados na área da cidade de São Paulo, é necessário observar o quanto de chuva de fato chegou aos mananciais e foi retido.
Como mostrou a Folha na última sexta-feira (19), o Cantareira responde por cerca de 50% do sistema metropolitano e, nos últimos meses, tem recebido menos chuvas do que outros reservatórios, como o do Alto Tietê.
Um outro aspecto é o padrão de consumo. A gestão do governador Tarcísio de Freitas anunciou na semana passada regras mais rígidas para evitar o desabastecimento. Atualmente, o bombeamento de água é interrompido por dez horas durante a noite.
O cenário climático começa a mudar no sábado (27). Com o afastamento gradual da frente fria em direção ao oceano, a tendência é de diminuição da instabilidade sobre o estado.
Mesmo assim, o Inmet informa que a circulação atmosférica ainda favorece a formação de nuvens e a ocorrência de chuvas rápidas e isoladas em alguns pontos de São Paulo.
Na capital, o sábado deve ter mínima de 14°C e máxima de 23°C. O céu continua com muitas nuvens durante boa parte do dia, mas os períodos sem chuva tendem a ser mais frequentes do que na sexta-feira.
No domingo (28), a melhora deve ser mais evidente. A previsão indica muitas nuvens, mas sem expectativa de chuva significativa na cidade de São Paulo.
Os termômetros devem variar entre 14°C e 24°C, proporcionando uma tarde mais agradável, embora o frio continue presente durante o amanhecer.
No restante do Sudeste, a tendência também é de redução gradual da instabilidade ao longo do fim de semana. Ainda podem ocorrer chuvas pontuais, principalmente no Rio de Janeiro e no sul de Minas Gerais.
No estado de São Paulo, as menores temperaturas previstas para o sábado devem ficar em torno de 11°C na região oeste.
No Sul, o clima frio deve permanecer. Já no Nordeste, segundo Wendell Fialho, do Inmet, há um alerta para chuvas muito intensas em capitais como Recife, João Pessoa e Natal.
Os moradores devem manter atenção redobrada devido ao risco de transtornos causados pelo volume de água, segundo Fialho.