24 de junho de 2026
UTI NEONATAL

Santa Casa explica afastamento de pediatra e cita investigação

Por Guilherme Renan | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução de vídeo
Pediatra foi impedido de entrar na Santa Casa

Horas após a repercussão da notícia de que o médico pediatra Anderson Azevedo Dutra havia sido impedido de entrar na Santa Casa de Araçatuba, na manhã desta quarta-feira (24), a direção da instituição encaminhou à redação um posicionamento oficial esclarecendo os motivos do afastamento temporário do profissional. O motivo alegado é a abertura de uma sindicância administrativa.

Como publicado nesta manhã pela Folha da Região, mães de crianças internadas relataram preocupação após o médico ser barrado na portaria da unidade. Na ocasião, o profissional acionou a Polícia Militar e afirmou desconhecer os motivos da decisão, aguardando uma justificativa oficial da administração do hospital.

Em nota, a Santa Casa informou que instaurou uma Sindicância Administrativa para apurar fatos relacionados à condução da linha de cuidado pediátrico e neonatal do Hospital Sagrado Coração de Jesus. Segundo a instituição, o procedimento analisa critérios adotados para admissão, permanência, transferência e alta de pacientes em leitos de UTI e cuidados intermediários, além de possíveis inconformidades técnicas e assistenciais.

A administração do hospital também informou que investiga a compatibilidade entre os dados epidemiológicos registrados e as justificativas técnicas apresentadas para propostas de ampliação da estrutura e da oferta de leitos destinados aos setores pediátrico e neonatal.

Segundo a Santa Casa, em razão da natureza das apurações e para preservar a lisura da investigação, foi determinado o afastamento cautelar e temporário de Anderson Azevedo Dutra. A instituição ressalta que a medida possui caráter exclusivamente preventivo, não representa reconhecimento de culpa e garante ao médico o direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.

Hospital diz que resistência motivou investigação

Ainda conforme a nota oficial, uma das situações analisadas na sindicância seria a existência de resistências à ampliação emergencial da oferta de leitos neonatais e pediátricos, cenário que, segundo a direção, dificultava o atendimento da demanda da unidade.

A Santa Casa informou que, somente durante a manhã desta quarta-feira, após reavaliações clínicas realizadas por uma Câmara Técnica Médica criada em caráter emergencial, seis pacientes que ocupavam leitos especializados receberam alta para enfermarias, possibilitando a transferência de seis crianças que aguardavam vagas no Pronto-Socorro para a UTI Neonatal I.

De acordo com a instituição, a medida representou o primeiro avanço do protocolo de contingenciamento de vagas implantado nesta quarta-feira e permitiu ampliar a capacidade operacional do hospital sem comprometer a segurança dos pacientes.

Atendimento segue normalmente

A Santa Casa também negou que crianças ou recém-nascidos tenham ficado desassistidos em razão do afastamento do médico.

Segundo a direção, apenas o médico Anderson Azevedo Dutra foi afastado das atividades, enquanto os demais profissionais vinculados à empresa prestadora de serviços permanecem cumprindo normalmente as escalas de plantão. O hospital informou ainda que reforçou as equipes multiprofissionais, com ampliação do suporte de enfermagem, fisioterapia e demais setores estratégicos.

Outro ponto destacado pela instituição é que o afastamento não foi uma decisão administrativa do provedor Everton Santos, mas uma medida técnica adotada pelos médicos responsáveis pela coordenação assistencial e pela Diretoria Executiva da Santa Casa.

Ao final da nota, a Santa Casa reafirma que todas as medidas adotadas têm como objetivo preservar a segurança dos pacientes, garantir a continuidade da assistência médica e assegurar uma apuração técnica, transparente e imparcial dos fatos.

A reportagem da Folha da Região tenta contato com o médico Anderson Azevedo Dutra e sua defesa.