A Polícia Civil investiga novas informações que podem ajudar a esclarecer a execução do empresário Leonardo Ariel de Toledo, de 29 anos, morto a tiros dentro da Adega MisterBeer, em Taubaté.
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Segundo relato registrado no boletim de ocorrência, uma testemunha informou ter recebido uma ligação afirmando que Leonardo teria morrido por ser "talarico", expressão popular usada para definir alguém que se envolve com a parceira de outra pessoa.
"(...) destacou que a vítima fatal trabalhava com compra e venda de veículos, e por vezes não repassava o dinheiro devido aos sócios proprietários e donos dos veículos, praticando de certa forma estelionato, além de informar que receberam uma ligação dizendo que a vítima morreu por ser "talarico" (gíria popular que se refere a uma pessoa que cobiça ou se envolve amorosa com o parceiro(a) de terceiro)", diz trecho do boletim de ocorrência.
A informação passou a integrar as linhas de investigação do caso.
Leia mais: Empresário foi morto um dia antes de realizar sonho em Taubaté
Faltava menos de 24 horas para Leonardo Ariel de Toledo realizar um dos maiores sonhos da vida: inaugurar a própria adega em Taubaté.
Mas a expectativa pela abertura do negócio terminou em tragédia na tarde de sexta-feira (12), quando o empresário foi executado a tiros dentro do estabelecimento, no bairro Areão.
Conhecido entre amigos como "Leo", ele passava os últimos detalhes para a inauguração da Adega MisterBeer, prevista para o dia seguinte, quando foi surpreendido por criminosos armados.
O crime aconteceu na Rua Alfredo Cândido Vieira e chocou moradores da região pela violência da ação.
Um dos pontos que mais chamam a atenção no boletim de ocorrência é o relato feito por uma testemunha próxima a Leonardo.
Segundo o documento, ela informou aos investigadores que recebeu uma ligação afirmando que a vítima teria sido morta por ser "talarico".
A declaração passou a ser considerada pela Polícia Civil, que também apura uma possível motivação passional para o assassinato.
Até o momento, a origem da ligação e a veracidade da informação não foram confirmadas oficialmente.
De acordo com testemunhas, Leonardo estava na adega acompanhado de um sócio, de um funcionário e do filho de apenas 5 anos quando dois homens chegaram em uma motocicleta.
O passageiro desceu usando capacete, máscara e roupas escuras, entrou no estabelecimento e teria deixado claro que Leonardo era o alvo da ação.
Segundo depoimento registrado no boletim, o criminoso mandou que as demais pessoas se afastassem e afirmou que efetuaria disparos contra a vítima. Na sequência, sacou uma arma e começou a atirar.
Leonardo tentou escapar correndo por uma área lateral do imóvel, mas foi perseguido pelo atirador, que continuou efetuando disparos até acertá-lo.
O empresário caiu em um corredor da adega e morreu no local. Equipes do Samu foram acionadas, mas apenas constataram o óbito. Após a execução, os criminosos fugiram em uma motocicleta.
Um dos aspectos mais dramáticos do caso é que o filho de Leonardo estava dentro da adega no momento do ataque.
Segundo testemunhas, a criança foi retirada rapidamente da área dos disparos por pessoas que estavam no local.
O menino não ficou ferido, mas presenciou os momentos de desespero durante a perseguição ao pai.
O boletim de ocorrência também registra uma informação repassada à polícia por testemunhas.
Segundo o relato, os suspeitos teriam passado por uma barbearia localizada na mesma rua da adega pouco antes do crime.
Eles teriam exibido um revólver na cintura e dito que matariam Leonardo.
O proprietário do estabelecimento afirmou não conhecer os homens e não soube fornecer informações que ajudassem na identificação dos autores.
Outra linha investigativa envolve a atividade profissional da vítima. Conforme relato prestado à polícia, Leonardo atuava na compra e venda de veículos.
No depoimento, a testemunha afirmou que existiriam problemas relacionados a repasses financeiros em algumas negociações realizadas pelo empresário.
A Polícia Civil apura se essas informações podem ter alguma ligação com a motivação do assassinato.
O boletim de ocorrência registra ainda que havia informações preliminares sobre antecedentes criminais de Leonardo relacionados aos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. O documento não detalha os processos nem informa o desfecho dos casos mencionados.
Uma das testemunhas afirmou à polícia que a própria vítima relatava possuir antecedentes criminais, mas que não teria envolvimento atual com atividades ilícitas.
Até o momento, a Polícia Civil não informou se existe qualquer relação entre esses antecedentes e a execução ocorrida em Taubaté.
Imagens de monitoramento mostram que os criminosos fugiram em uma motocicleta de pequeno porte, possivelmente uma Honda CG com tanque vermelho.
Segundo a polícia, a placa estaria coberta ou ausente. Os suspeitos seguiram em direção ao Jardim Mourisco logo após a execução.
Peritos recolheram vestígios no local, e a Deic (Delegacia Especializada de Investigações Criminais) trabalha na análise de imagens, depoimentos e demais elementos para identificar os autores do crime. Até a publicação desta reportagem, ninguém havia sido preso.