Não foi só Carlo Ancelotti que aproveitou o amistoso contra o Panamá para fazer testes no Maracanã. Na vitória da seleção brasileira por 6 a 2, o Movimento Verde Amarelo colocou em prática pela primeira vez o projeto que pretende reunir torcidas organizadas rivais em torno da seleção brasileira durante a Copa do Mundo.
O grupo colocou em prática não só as ideias de festa, como o mosaico feito na entrada dos jogadores, mas também um acordo criado para evitar conflitos entre torcedores de clubes rivais, que passarão a conviver mais por perto, só que dessa vez defendendo as mesmas cores: a da seleção brasileira.
A principal preocupação de quem via de fora era justamente a convivência entre integrantes de organizadas historicamente adversárias. Para isso, as lideranças estabeleceram um código de conduta discutido nos encontros realizados antes da Copa do Mundo.
Entre as regras definidas estavam a proibição do uso de camisas de clubes e de torcidas organizadas, a restrição a cânticos ligados a equipes específicas e a orientação para que o foco fosse exclusivamente a seleção brasileira. Apenas vestimentas da seleção ou do próprio movimento foram permitidas.
Segundo integrantes do MVA, o resultado da primeira experiência foi positiva. O principal ponto destacado pelas lideranças foi a capacidade de coordenar cânticos durante a partida, algo que consideram essencial para reproduzir o ambiente dos jogos de clubes durante a Copa.
Houve casos isolados de torcedores puxando gritos relacionados a clubes, como Flamengo e Vasco, mas a situação foi rapidamente controlada pelos próprios participantes do movimento, que seguiam a cartilha à risca durante os 90 minutos no Maracanã.
O teste no Maracanã foi apenas o início da operação do Movimento Verde Amarelo para a Copa do Mundo. A partir desta semana, integrantes do grupo começam a embarcar para os Estados Unidos.
Segundo o movimento, cerca de duas toneladas de materiais já foram enviadas ao país. A carga inclui 6 mil bandeirolas, 3 mil faixas de mão, 5 mil balões, 25 instrumentos musicais, 11 bandeiras de mastro e um bandeirão de 600 metros quadrados em homenagem aos cinco títulos mundiais do Brasil.
A programação da torcida também já está definida. Na véspera da estreia da seleção, o grupo realizará um bandeiraço na Times Square, em Nova York. Depois, estão previstas ações na Brooklyn Bridge, nas escadarias eternizadas por Rocky Balboa, na Filadélfia, e em Miami Beach.
Como revelou o colunista Julio Gomes, do UOL, a CBF disponibilizou ao MVA acesso a 500 ingressos por jogo da seleção durante a Copa do Mundo.
Os bilhetes serão comprados diretamente junto à Fifa e revendidos pelo mesmo valor para integrantes das organizadas e de outros movimentos de apoio à seleção, como Canarinho, Núcleo BR, Torcida Brazucas, Gaúchos na Copa e Mitos das Copas.
A medida faz parte do programa da Fifa destinado às confederações nacionais, responsável por concentrar torcedores de um mesmo país em setores específicos dos estádios. Caso o Brasil chegue à final, o pacote para acompanhar todos os jogos custa cerca de US$ 500 (R$ 2,5 mil).