19 de maio de 2026
EM ALERTA

Campinas confirma 1ª morte por febre maculosa em 2026

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/PMC
Homem de 74 anos morreu em abril; cidade entra no período de maior risco para transmissão da doença.

Campinas confirmou a primeira morte por febre maculosa em 2026. O caso também é o primeiro registro da doença neste ano no município. A vítima era um homem de 74 anos, morador da área de abrangência do Centro de Saúde Santa Rosa, na região noroeste da cidade.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os sintomas começaram em 15 de abril. O paciente foi atendido em um hospital público de Campinas, mas morreu no dia 21 de abril. O provável local de infecção fica na mesma região onde ele morava, em uma área próxima a espaços verdes e cursos d’água, onde realizava serviços de jardinagem.

O alerta ocorre às vésperas do período de maior risco de transmissão da doença, que vai de junho a novembro. Em 2025, Campinas registrou seis casos de febre maculosa, todos com evolução para óbito.

A febre maculosa é uma doença grave, de alta letalidade, causada pela bactéria Rickettsia rickettsii. A transmissão ocorre pela picada do carrapato-estrela infectado. A região de Campinas é considerada endêmica por causa das características ambientais, com áreas verdes, cursos d’água e presença de animais que favorecem o ciclo do carrapato.

A bióloga Heloísa Malavasi, da Secretaria Municipal de Saúde, explica que o risco aumenta nesta época do ano porque predominam as fases jovens do carrapato-estrela, menos seletivas quanto ao hospedeiro.

"Aumenta a chance das pessoas serem parasitadas porque essas fases jovens são menos seletivas quanto ao hospedeiro. Então, por ter uma menor seletividade, as pessoas ingressam nas áreas verdes e são mais facilmente parasitadas", aponta Heloísa.

A orientação da Saúde é procurar atendimento médico imediatamente após o surgimento de febre em pessoas que tenham frequentado áreas verdes, sem esperar o aparecimento de outros sintomas. Além da febre, a doença pode provocar dor de cabeça, dor intensa no corpo, mal-estar, náuseas e vômitos.

"Se a pessoa apresentou febre após ter frequentado uma área verde, os sintomas tendem a piorar rapidamente, portanto, não deve esperar para procurar atendimento médico. O primeiro, o segundo e o terceiro dias (a partir do início dos sintomas) correspondem ao período oportuno para tratar a febre maculosa. Após esse período, mesmo com tratamento, a pessoa pode evoluir para óbito ou ficar com sequelas graves", alerta a bióloga.

O período de incubação da febre maculosa brasileira pode variar de 2 a 14 dias após a picada do carrapato. Caso a pessoa consiga retirar o carrapato da pele, a recomendação é levá-lo ao serviço de saúde para auxiliar na identificação.

"Esse carrapato pode ser identificado, e, ele sendo um Amblyomma [nome científico da espécie], todas as orientações vão ser passadas para a pessoa. Então, ele pode ser encaminhado para a UVZ [Unidade de Vigilância de Zoonoses] via unidade de saúde", observa Heloísa.

Entre as medidas de prevenção estão evitar caminhar, sentar ou deitar em gramados e locais com folhas secas, não se aproximar de rios, lagos e lagoas em áreas de risco, usar roupas claras e calçados fechados, vistoriar o corpo após frequentar áreas verdes e retirar carrapatos com cuidado, de preferência com pinça, sem esmagá-los.

A Secretaria de Saúde também reforça que não se deve usar fósforo aceso, agulha quente ou qualquer método semelhante para remover carrapatos, pois isso pode aumentar o risco de transmissão.

"O carrapato precisa de algumas horas para conseguir inocular a bactéria. Não é imediata a transmissão da bactéria. E, se você faz uma coisa dessas, pega uma agulhinha quente e coloca no carrapato, você pode acelerar esse processo e ser infectado antes do tempo que ele levaria se você não tivesse feito isso", esclarece a profissional.

Outro ponto destacado pela bióloga é que nem todo carrapato transmite a doença.

"Não é toda espécie e nem todo carrapato-estrela [que transmite]. É uma porcentagem muito pequena dos carrapatos-estrela que transmite a febre maculosa", acrescenta Heloísa.

Além das ações educativas, a Prefeitura mantém o monitoramento de áreas de risco e a instalação de placas de alerta. Desde setembro de 2024, Campinas também realiza o manejo reprodutivo de capivaras em parques públicos. A iniciativa já esterilizou quase 200 animais na Lagoa do Taquaral e no Lago do Café, e deve ser ampliada para outros parques da cidade.