A Avenida John Boyd Dunlop, uma das principais ligações entre o Centro e a região do Campo Grande, registrou queda de 69% nas mortes no trânsito em um período de cinco anos. Segundo dados da Emdec, os óbitos na via passaram de 13 em 2021 para quatro em 2025.
Na comparação mais recente, entre 2024 e 2025, a redução foi de 43%. Foram sete mortes em 2024 e quatro no ano passado. Os números foram apresentados durante o lançamento do Maio Amarelo 2026 e já seguem a metodologia que considera vítimas que morrem em até 30 dias após o acidente.
Apesar da queda, a John Boyd Dunlop ainda aparece entre as vias com maior atenção no trânsito de Campinas. Em 2025, ela concentrou 5,4% das 74 mortes registradas em vias urbanas da cidade. Já no primeiro trimestre de 2026, entre as seis mortes em vias urbanas, nenhuma ocorreu na avenida.
A JBD também segue no topo do ranking de infrações. Entre janeiro e abril deste ano, Campinas registrou 296.559 autuações transformadas em penalidades. Desse total, 51.610 ocorreram na John Boyd Dunlop, o equivalente a 17,4%.
O cenário já havia se repetido em 2025, quando a avenida concentrou mais de 16% das 799.016 penalidades expedidas na cidade, com 132.961 multas.
Para a Emdec, a permanência da via entre os pontos mais críticos está ligada às características da própria avenida. A John Boyd Dunlop tem cerca de 12,4 quilômetros por sentido, grande número de faixas, muitos cruzamentos e fluxo diário de aproximadamente 62 mil veículos.
O coordenador da Central de Monitoramento e Supervisão de Radares, Nilvando Rezende, afirma que o crescimento urbano e econômico ao longo do eixo do BRT também aumentou a circulação na região.
“A permanência da avenida JBD entre as que mais registram sinistros é explicada pelas suas características: extensão, número de faixas de rolamento, quantidade de cruzamentos e aumento do fluxo de veículos a partir da expansão imobiliária e econômica proporcionada pelos Corredores BRT”, detalha.
Segundo ele, ainda são recorrentes comportamentos de risco na avenida. “Mas é preciso destacar que toda morte no trânsito geralmente está relacionada às situações de imprudência. São comuns, na JBD, as situações de excesso de velocidade, uso indevido do corredor exclusivo, avanço de sinal vermelho, parada sobre a faixa e até ocultação da placa ao cometer as infrações”, completou.
A Emdec aponta que a redução das mortes está relacionada a um conjunto de ações permanentes de fiscalização, engenharia viária e educação no trânsito. A avenida conta hoje com 26 equipamentos de fiscalização eletrônica. Desse total, 20 fiscalizam velocidade, avanço de sinal e parada sobre a faixa, enquanto seis monitoram o cumprimento da velocidade máxima permitida, de 50 km/h.
Também houve remanejamento de radares em pontos estratégicos. Em 2025, dos cinco equipamentos deslocados pela Emdec, três foram instalados na John Boyd Dunlop, especialmente em locais com travessia de pedestres e presença de usuários do transporte coletivo.
Outras medidas incluem operações integradas de fiscalização, blitze da Operação pela Vida, abordagens educativas em pontos críticos, ajustes semafóricos no modelo de “onda verde” e obras de geometria viária para ampliar áreas destinadas a pedestres.
Mesmo com a redução na JBD, os dados mostram que parte relevante das mortes no trânsito urbano segue concentrada em poucas vias. Em 2025, oito ruas e avenidas responderam por 19 das 74 mortes registradas em vias urbanas, o equivalente a 25,7% do total.
Além da John Boyd Dunlop, que teve quatro óbitos, aparecem no ranking a Avenida Comendador Aladino Selmi, com três mortes, e as avenidas Amoreiras, Moraes Salles, Nelson Ferreira de Souza, Prestes Maia, Ruy Rodriguez e a Rua Sylvia da Silva Braga, todas com dois registros.