12 de maio de 2026
HOSPITAIS

Após ação da PM na USP, alunos de Medicina paralisam

da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Marcos Santos/Governo de SP
Hospital das Clínicas, da USP, em São Paulo

Após a ação da Polícia Militar que desocupou com uso de força a reitoria da USP (Universidade de São Paulo), alunos do internato da medicina decidiram paralisar os atendimentos médicos e atividades práticas no HC (Hospital das Clínicas) e no HU (Hospital Universitário) nesta segunda-feira (11).

Eles reivindicam as mesmas pautas dos demais estudantes, mas também protestam contra a precarização dos serviços de saúde da universidade. Nesta segunda, também ocorre paralisação de alunos, trabalhadores técnico-administrativos e docentes da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Em nota, o HC informou que a paralisação não provocou impacto na assistência aos pacientes do complexo. Procurados, a reitoria da USP e a direção do HU não responderam sobre a paralisação e o impacto nos atendimentos nem sobre as negociações para atender as demandas dos estudantes.

"Apoiamos e reivindicamos as mesmas pautas das outras áreas da universidade, como a melhora e desterceirização dos restaurantes universitários e a recomposição do valor das bolsas de permanência. Mas temos também demandas específicas da saúde", diz Gabriela Zanini, diretora do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, da Faculdade de Medicina.

Eles pedem a contratação de mais profissionais da área da saúde para atuar no HU, que funciona dentro do campus central da universidade. Segundo eles, a unidade tem hoje uma defasagem de 500 profissionais, entre enfermeiros, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, entre outros.

Também pedem a reabertura dos leitos do hospital, que desde 2013 foram cortados quase pela metade. Naquele ano, a unidade oferecia cerca de 220 leitos. Hoje, são apenas 130. "Nesse período, o número de cirurgias feitas no HU caiu em 60%. É uma situação bem decadente, que prejudica a nossa formação, mas, sobretudo, o atendimento da comunidade."

Os internos do HC também aderiram à paralisação porque reivindicam o fim do programa Experiência HC, que cobra mensalidades acima de R$ 8.000 para que alunos de faculdades privadas possam estagiar no local. O programa foi lançado em 2024 com 600 vagas, mas hoje já oferta 2.000 vagas por ano.

"Os alunos da USP estão tendo que competir por espaço e para fazer as atividades práticas com estudantes de outras faculdades, que sequer passam por algum tipo de processo seletivo. A superlotação de estudantes também prejudica os pacientes. Antes, três alunos acompanhavam uma consulta. Agora, são até oito", conta Gabriela.

Nesta segunda, a reportagem acompanhou alguns setores do atendimento no Hospital das Clínicas e no Hospital Universitário. Os residentes de medicina, que atendem grande parte dos pacientes desses serviços, não entraram em greve e, com isto, o atendimento segue normal.

Um enfermeiro do HU, que prefere não se identificar, disse que os residentes nem podem faltar porque não têm justificativas de faltas previstas para esses casos.

Alguns funcionários administrativos nem tinham ouvido falar da greve. Um residente médico do HC e uma técnica em enfermagem, na condição de anonimato, confirmaram que os residentes não entraram na greve. Foram os alunos da Faculdade de Medicina. A greve não atingiu os residentes do hospital, afirmou o médico.

A reportagem também ouviu funcionários da área administrativa dos dois hospitais, além de pacientes que aguardavam atendimento e outros que haviam acabado de ser atendidos. Eles confirmaram não ter percebido impactos ou falta de médicos.

"Eu vim na semana passada para realizar exames pré-operatórios e agora acabo de sair da consulta. Sou atendida há muito tempo aqui no HC e não notei nada nesse sentido. Também não ouvi ninguém reclamar que não foi atendido", disse a aposentada Lígia Nagy, 68.