O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou neste sábado, 9, em Franca, que sua experiência política e administrativa o credencia para disputar o Palácio do Planalto em 2026.
Durante entrevista ao jornalista Corrêa Neves Junior, do portal GCN/Rede Sampi, Caiado defendeu anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, criticou os governos do PT, falou sobre segurança pública e exploração de terras raras, e disse que pretende romper a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A entrevista foi concedida durante o evento de lançamento da pré-candidatura de Flávia Lancha (PSD) a deputada estadual, realizado no Espaço Madeira, na alça de acesso da rodovia Cândido Portinari, saída para Ribeirão Preto.
Caiado afirmou que concederá anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro caso seja eleito presidente da República, embora tenha condenado as invasões e depredações registradas em Brasília. “Eu não admito baderna, independente de posição ideológica”, declarou.
Segundo o ex-governador, o tema precisa ser superado para que o país avance. “A anistia é um tratamento profilático. O Brasil não aguenta mais discutir 8 de janeiro”, afirmou.
Caiado também afirmou que o presidente Lula, por ocupar a Presidência da República, era a pessoa mais bem informada do país no período dos atos golpistas, insinuando que a ausência do presidente de Brasília naquela data teria sido deliberada.
Ao comentar o cenário político nacional, Caiado disse que pretende romper a polarização entre Lula e Bolsonaro. “O maniqueísmo beneficia os dois lados”, afirmou, acrescentando que o país permanece preso a disputas políticas permanentes. “Eu não vou aceitar o Brasil ficar nessa bolha discutindo 8 de janeiro, que alimenta o Lula e alimenta o Bolsonaro”, disse.
Caiado fez duras críticas ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que os governos petistas estimularam a dependência social. “O governo Lula criou três gerações do Bolsa Família. Até hoje é o avô, o pai e o filho”, afirmou.
A segurança pública foi apontada por Caiado como uma das principais marcas de sua gestão em Goiás, estado que, segundo ele, não registra crimes como assalto a banco, novo cangaço e roubo a carro-forte. “Em Goiás, faccionado não tem visita íntima e não tem audiência sigilosa com advogado”, declarou. O ex-governador também associou o crescimento das facções criminosas aos governos petistas. “Quem mais cresceu no Brasil com cinco mandatos do PT? O PCC, o Comando Vermelho e a corrupção”, afirmou.
Caiado afirmou que sua gestão em Goiás apostou na geração de renda e na permanência das famílias no interior. “Dou uma casa digna para ela, dou uma profissão e aquilo para ela começar a trabalhar”, disse, acrescentando que Goiás quase dobrou o Produto Interno Bruto nos últimos sete anos. “Você divide riqueza. Você não divide pobreza e miséria”, declarou.
Os ex-governador também defendeu que o Brasil agregue valor às riquezas minerais antes de exportá-las. “Não vou vender terras raras de forma bruta como está sendo vendido para a China”, afirmou. “Aí vem o Lula e o Zé Dirceu, que você sabe que tem competência na corrupção e para enganar as pessoas, dizer que o Caiado está querendo fazer a venda exclusiva de terras raras para os Estados Unidos. Você sabe que não é por ignorância, é por mau-caratismo mesmo. Poorque ele é mau-caráter, o Zé Dirceu. E o Lula também”.
Segundo ele, Goiás buscou parcerias internacionais para ampliar o processamento tecnológico dos minerais, e acordos nessa área precisam incluir desenvolvimento industrial e universitário no Brasil. “Você vende o minério de ferro e compra o aço da China”, criticou. “Então você sabe que essa postura deles (de Lula e Zé Dirceu) é uma postura de não saberem as riquezas que o Brasil tem. Eles não trabalham, eles não exercem aquilo que é a função de um governador.
Ao defender sua pré-candidatura à Presidência, Caiado citou a própria trajetória política - cinco mandatos como deputado federal, além de passagens pelo Senado e pelo governo de Goiás -, ressaltando que experiência administrativa deve pesar mais do que herança política. “Para ser presidente, você precisa saber dialogar com o Congresso e articular com o Supremo”, afirmou. “Sobrenome não é currículo”.
Assista a entrevista completa no vídeo acima.