Pré-candidato ao Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL) se mostrou incomodado com os questionamentos da imprensa nesta sexta-feira (8) sobre o envolvimento do senador Ciro Nogueira (PP-PI) no caso Master e tentou descolar o aliado das eleições de outubro. Ele cumpre agenda de pré-campanha em Florianópolis (SC).
Ao ser perguntado se ainda considerava convidar Ciro para ser vice na sua chapa, Flávio afirmou que "nunca falei isso" e que apenas o considerava "um bom perfil" para a vaga.
"Olha, vocês querem me vincular com o Ciro Nogueira, mas o Banco Master é do Lula", afirmou ele a jornalistas, na saída do documentário "A Colisão dos Destinos", sobre o seu pai e ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em entrevista à Folha de S.Paulo em junho de 2025, Flávio lembrou que Ciro já havia publicamente demonstrado vontade de ocupar a vaga de vice na chapa bolsonarista. "Já levantou o dedo e acho que tem todas as credenciais para ser. Mas isso é uma decisão que se toma mais para frente. Depende da composição partidária, depende do perfil que a gente está buscando", afirmou na ocasião.
Ele também disse à época que o aliado tem "um bom perfil": "Nordestino, de um partido grande e forte. Teve ali a lealdade ao presidente Bolsonaro [quando foi ministro]. Sem dúvida é um nome que está colocado".
Nesta sexta, Flávio afirmou: "Não é que as pessoas têm proximidade comigo que eu vou ter que responder pelos atos dela, gente, pelo amor de Deus".
"Já falei várias vezes. [Em relação a] Ciro, são acusações graves e ele tem a sorte de responder a um relator que não vai sacaneá-lo como o Alexandre de Moraes fez com o presidente Bolsonaro. Um relator sério, que é o André Mendonça. Então ele vai se defender das acusações gravíssimas", afirmou o presidenciável.
Na quinta-feira (7), a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão em endereços de Ciro em uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master.
Entre as principais suspeitas da PF estão a de que o senador, que foi ministro da Casa Civil na gestão Bolsonaro, recebia quantias repassadas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, dono do banco. Além disso, de acordo com as investigações, haveria o pagamento de outras despesas pessoais do parlamentar, como viagens de jatinho.
Nesta sexta, em uma nota divulgada em suas redes sociais, Ciro afirmou que a operação contra ele foi uma tentativa de manchar sua honra pessoal. "Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos", escreveu.
Ciro é presidente nacional do PP, um dos principais partidos do centrão e que hoje compõe uma federação com o União Brasil. Desde que se lançou ao Planalto, Flávio vem tentando angariar o apoio público do grupo para fazer frente à tentativa de reeleição do presidente Lula.
Em nota à imprensa divulgada ainda na quinta, Flávio afirmou que as informações sobre a operação são graves e disse esperar uma "ampla apuração" do caso, mas não citou diretamente o nome de Ciro.
Nesta sexta, em Florianópolis, Flávio falou com a imprensa na saída da exibição do documentário sobre seu pai. O filme "A Colisão dos Destinos" tem 70 minutos de duração e foi dirigido por Doriel Francisco. A exibição foi reservada a convidados. O documentário foi produzido por aliados do ex-mandatário, que está em prisão domiciliar, condenado por tentativa de golpe do Estado.
Pré-estreias já foram realizadas em outras capitais, e o diretor diz que o lançamento nacional será feito dia 14 de maio.
O senador também tinha na agenda um jantar com empresários após o documentário. Na tarde desta sexta, Flávio se reuniu com o governador de Santa Catarina Jorginho Mello (PL), pré-candidato à reeleição. Os dois visitaram o Complexo Penitenciário de São Pedro de Alcântara e posaram para fotos com policiais armados.
Neste sábado (9) à tarde, haverá o encontro estadual do PL aberto ao público. A ideia do grupo é fazer um ato em prol das pré-candidaturas do partido, além de Flávio e Jorginho, o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro e a deputada federal Carol De Toni, ambos pré-candidatos ao Senado por Santa Catarina.