16 de abril de 2026
ALÍVIO HÍDRICO

Chuvas acima da média garantem saldo positivo na bacia do Lençóis

Por | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
O saldo positivo de chuvas no primeiro trimestre de 2026, somado às precipitações previstas para abril e maio, devem ser suficientes para sustentar o período de estiagem, segundo o CBH-RL

Segundo medições pluviométricas históricas comparativas, a bacia do rio Lençóis encerrou o primeiro trimestre de 2026 com saldo positivo de chuvas, tanto no acumulado do período quanto na média anual, com volumes totais de 741 milímetros acima das cotas esperadas para a área da bacia hidrográfica. Os dados foram apresentados durante a 11.ª assembleia plenária e a 30.ª reunião da Câmara Técnica do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Lençóis (CBH-RL), que também trouxeram balanço dos 10 anos de atuação do órgão.

O comitê foi criado após a inundação histórica de 2016 em Lençóis Paulista como uma solução apresentada ao Ministério Público Estadual (MPE) com o objetivo de gerenciar passivos ambientais e reduzir os riscos de ocorrência de novos eventos hidrológicos severos.

Cenário hidrológico

O saldo positivo de chuvas no primeiro trimestre de 2026, somado às precipitações previstas para abril e maio, devem ser suficientes para sustentar o período de estiagem, segundo o CBH-RL.

Além disso, os dados indicam que a média de chuvas dos três primeiros meses de 2026 superou os índices mensais dos últimos 10 anos, reforçando a tendência de alternância dos ciclos hidrológicos e sugerindo a possibilidade de uma década mais chuvosa em comparação à anterior.

"Com isso, reduzem-se momentaneamente os riscos de estiagens severas e de queda significativa nos volumes hídricos úteis, tanto para geração de energia elétrica quanto para o abastecimento público", ressalta o órgão.

Apoio técnico às Defesas Civis

No final do ano passado, foi criado um grupo provisório de apoio técnico às Defesas Civis com o objetivo de fornecer informações antecipadas sobre riscos hidrológicos e apoiar os municípios da bacia em situações de emergência ambiental.

Na ocasião, o grupo emitiu alertas antecipados, dias antes, sobre a iminência de eventos hidrológicos severos. Com base nessas informações, as defesas civis municipais adotaram as medidas recomendadas, o que permitiu que o município de Barra Bonita respondesse a um evento ocorrido com êxito.

Em São Manuel, o CBH-RL também prestou suporte técnico em operações voltadas ao controle de processos de saturação hidráulica no ribeirão Paraíso e rio Lençóis, no início deste ano.

"A iniciativa passa a ter caráter permanente, com foco no fortalecimento das Coordenadorias Municipais de Defesas Civis, visando ampliar a capacidade de respostas e a prevenção de danos ambientais decorrentes de eventos hidrológicos extremos", anuncia o Comitê.

Avanços na segurança ambiental

Ao longo da última década, a gestão de riscos na bacia do rio Lençóis promoveu um avanço expressivo nos índices de segurança ambiental frente a eventos hidrológicos severos, passando de 0% em 2016 para 70% em 2026. "Esse resultado foi alcançado por meio de uma atuação técnica, integrada e regionalizada do CBH-RL", afirma.

"No período, foram investidos mais de R$ 8 milhões em obras estruturais previstas no Plano de Gerenciamento de Águas elaborado para mitigar os impactos da inundação de 2016, entregue ao Ministério Público Estadual (MP), cujos prejuízos foram estimados em mais de R$ 35 milhões. Os recursos foram provenientes da iniciativa privada, do governo estadual e de municípios da região da bacia hidrográfica".

Perspectivas para o futuro

O CBH-RL avalia que as inundações registradas em 2016 foram resultados da combinação entre a ausência generalizada de gestão de riscos na bacia hidrográfica e a ocorrência de índices pluviométricos acima da média ao longo da década anterior. "Esse cenário comprometeu de forma significativa a segurança ambiental da bacia do rio Lençóis", diz.

O secretário-executivo do órgão, o professor e especialista em recursos hídricos e gestão de riscos Sidnei de Aguiar, alerta que a falta de manutenção e atualização da segurança ambiental pode levar à repetição de desastres ambientais e destaca que a gestão regionalizada dos recursos hídricos e a participação coletiva são essenciais para preveni-los ou reduzir seus impactos.