11 de abril de 2026
ELEIÇÕES 2026

Flávio Bolsonaro busca marqueteiros que evitem radicalização

Por Carolina Linhares | da Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
Vini Dalla Rosa/Divulgação
Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República

Depois de construir palanques de apoio em ao menos 20 estados, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) passou a se concentrar em estruturar uma equipe política e de comunicação para explorar o desgaste do governo Lula (PT) e apresentar o senador a eleitores não bolsonaristas.

A ideia é evitar a radicalização, o que foi considerado um erro do bolsonarismo em campanhas anteriores. Por isso, políticos e marqueteiros que cercam Flávio têm dito que o senador deve expor seu perfil, que consideram conciliador em comparação ao do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado.

Nas últimas semanas, Flávio contratou marqueteiros para a campanha e ainda pode ampliar o time. O senador exonerou do seu gabinete o assessor Fernando Nascimento Pessoa, responsável pela estratégia das suas redes sociais, para atuar exclusivamente na eleição.

Como mostrou o Painel, o especialista em estratégia Marcos Carvalho, da AM4, também entrou para a equipe e deve ficar à frente do planejamento, gestão e produção de materiais, com uso de inteligência de dados.

Carvalho trabalhou na campanha de Bolsonaro em 2018 e na campanha de Lula em 2022, na reta final do segundo turno.

Aliados de Flávio ainda buscam um marqueteiro experiente para coordenar a comunicação e as peças a serem exibidas na TV, já que o PL tem o maior espaço no horário eleitoral entre todos os partidos. Mas, segundo políticos próximos ao senador, não há pressa para preencher esse cargo, que pode até mesmo ficar vago.

As conversas estavam avançadas com Paulo Vasconcelos, considerado favorito entre aliados de Flávio. Vasconcelos, porém, trabalha com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que foi escolhido candidato a Presidência pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab. Diante disso, o marqueteiro deve ser responsável pela estratégia da campanha de Caiado.

Outra opção que foi cogitada é o estrategista Jorge Gerez, que prestou serviços ao governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), por 14 anos. Após Ratinho ter desistido de concorrer à Presidência da República, Gerez se reuniu com coordenadores da campanha de Flávio.

Quem participou da reunião diz que Gerez é um bom profissional, mas provavelmente não vai ser escolhido para esse posto, ainda que possa contribuir com a campanha de outras formas.

O marqueteiro afirma que o eleitor brasileiro busca mudança e, por isso, defende que Flávio apresente um projeto de futuro. Gerez disse à equipe que o senador tem chances de vencer no primeiro turno caso não cometa erros, como comprar brigas e se concentrar em atacar Lula em vez de defender boas propostas.

De janeiro até o fim do mês passado, a estratégia da pré-campanha de Flávio foi feita também pelo publicitário Sergio Lima, marqueteiro de Bolsonaro na campanha de 2022, que deixou a equipe. Na ocasião, ele divulgou uma nota afirmando respeitar a decisão e cobrando respeito entre os profissionais de comunicação.

"Respeito a decisão, desejo muito sucesso a todos. Isso não significa que eu vou sair por aí dizendo que voto no candidato adversário", afirmou.

Lima também é defensor da tese de que Flávio deve conversar com eleitores de fora da sua bolha e evitar os embates travados pelo pai.

Outro nome que pode integrar formalmente a campanha de Flávio é o do publicitário Marcello Lopes, que é amigo de Flávio e inclusive frequenta a mesma igreja do senador, que é ligado à Comunidade das Nações, do bispo JB Carvalho.

Por enquanto, Marcellão, como é conhecido, tem apenas dado conselhos informais ao senador, mas estuda entrar formalmente para a equipe de campanha. O publicitário faz parte do time de aliados de Flávio que dizem apostar na queda de rejeição do senador, defendendo que seu estilo ponderado é autêntico e não parte de um personagem.

A equipe do filho mais velho de Bolsonaro também teve conversas com o marqueteiro Pablo Nobel, mas há dúvidas sobre a viabilidade de ele conciliar a campanha presidencial do senador e a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com a qual já se comprometeu.

O coordenador da campanha de Flávio será o senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela montagem do plano de governo e pela pulverização de candidatos do PL ou da direita alinhados ao bolsonarismo para concorrerem aos governos estaduais e ao Senado.

O PL tem pré-candidatos a governador em 12 estados, incluindo grandes colégios eleitorais como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Também estão encaminhadas alianças com outros partidos em seis estados e no Distrito Federal. Cinco deles são da federação entre União Brasil e PP, legendas que Flávio trabalha para trazer para o seu arco de alianças.

Já no Senado, o plano é consolidar uma maioria de senadores pró-impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e ganhar o controle da Casa em 2027. Entre nomes do PL e de legendas aliadas, há mais de 50 possíveis candidatos da direita bolsonarista.

De acordo com cálculos do ex-presidente, até 35 candidatos desse grupo podem ser eleitos, o que faria a oposição a Lula ultrapassar 41 das 81 cadeiras do Senado.