08 de abril de 2026
SEM SENTIDO

Motociclistas sem capacete e manobras perigosas disparam

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 2 min
Emdec
Levantamento da Emdec aponta mais de 700 infrações por falta de capacete e manobras perigosas; condutas já estão ligadas a mortes na cidade.

A imprudência no trânsito segue deixando marcas em Campinas. Levantamento da Emdec mostra que 711 infrações envolvendo motociclistas foram registradas entre 2025 e março de 2026, todas relacionadas a comportamentos de alto risco.

O dado reúne, principalmente, casos de condução sem capacete e realização de manobras perigosas, práticas que expõem não apenas os condutores, mas também pedestres e outros motoristas.

Do total de autuações, 431 foram por falta de capacete, enquanto 103 envolveram manobras como arrancadas bruscas e frenagens com derrapagem. Outros 177 registros dizem respeito a malabarismos ou equilíbrio em apenas uma roda, conduta frequentemente associada a exibicionismo e perda de controle.

Apesar dos números expressivos, a própria Emdec reconhece que o cenário pode ser ainda mais grave. Isso porque esse tipo de infração depende de flagrante, o que limita a atuação da fiscalização, especialmente fora dos principais corredores viários. Além disso, há recorrência de motocicletas com placas adulteradas, ocultas ou inexistentes, o que impede a identificação dos responsáveis.

As penalidades previstas são severas. A direção perigosa pode gerar multa de quase R$ 3 mil, suspensão imediata do direito de dirigir e apreensão do veículo. Já infrações como pilotar sem capacete ou realizar malabarismos também são classificadas como gravíssimas, com multa e suspensão da habilitação.

Os reflexos desse comportamento aparecem nos dados mais críticos. Entre 2021 e 2025, 19 mortes no trânsito foram associadas diretamente à falta de capacete ou à condução perigosa. A maioria dos casos ligados à ausência do equipamento ocorreu em vias urbanas, onde a falsa sensação de segurança — por conta da menor velocidade — contribui para o descuido.

No caso das manobras arriscadas, o padrão se repete em diferentes tipos de vias. Segundo análise técnica da empresa, o comportamento está ligado ao enfrentamento do risco, excesso de confiança e até exibicionismo, fatores que aumentam significativamente a chance de acidentes graves.

A Emdec também alerta para a dificuldade em mensurar completamente o problema. Enquanto a ausência do capacete pode ser identificada no atendimento às vítimas, a direção perigosa depende, muitas vezes, de testemunhas, o que leva à subnotificação dos casos.