A Páscoa de 2026 motiva questionamentos sobre a composição dos chocolates vendidos no país. Reformulações feitas pela indústria, com redução de cacau e substituição parcial da manteiga de cacau por outras gorduras vegetais, alteraram sabor, textura e perfil nutricional dos produtos.
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Segundo apuração da Banda B, houve diminuição do teor de cacau e aumento de ingredientes mais baratos, como açúcares e gorduras substitutas. “O consumidor não está enganado: o chocolate ficou mais doce e com menos identidade de cacau”, disse a coordenadora do curso de Nutrição do UniCuritiba, Ana Lúcia Ribeiro, ao portal.
De acordo com a especialista, a troca por gorduras como óleo de palma reduz compostos bioativos presentes no cacau, como antioxidantes, e eleva a quantidade de gorduras saturadas e açúcar.
A recomendação é atenção ao rótulo. Produtos com teor de cacau acima de 60% tendem a apresentar melhor qualidade nutricional. A ordem dos ingredientes também indica a predominância na fórmula. Termos como “sabor chocolate” e “cobertura fracionada” sinalizam que há substituição da manteiga de cacau por gordura vegetal.
Um projeto de lei aprovado na Câmara e em análise no Senado estabelece percentuais mínimos de sólidos de cacau — 25% para chocolate ao leite e 35% para outras categorias — e determina a indicação clara dessas informações na parte frontal da embalagem, visando a ampliar a transparência e definir critérios objetivos para o setor.
O consumo médio no Brasil é de 3,9 quilos por pessoa ao ano, segundo a Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados). A orientação é priorizar qualidade em vez de quantidade.
Com informações do Banda B.