A AFA (Associação do Futebol Argentino) e seu presidente, Claudio "Chiqui" Tapia, foram acusados formalmente de evasão fiscal nesta segunda-feira (30).
Tapia enfrenta acusações de apropriação indevida de receitas fiscais e de fundos da seguridade social, com uma penhora sobre seus bens de 350 milhões de pesos argentinos (R$ 1,3 milhão). A decisão foi adotada pelo juiz federal de causa penal e econômica Diego Amarante.
A AFA teve seus bens bloqueados. A mesma medida foi tomada contra outros quatro dirigentes, incluindo Pablo Toviggino, braço direito de Tapia e tesoureiro da federação.
A denúncia foi feita pelo órgão de arrecadação tributária Arca (a Receita argentina), que apontou retenções indevidas e falta de pagamento de impostos e contribuições previdenciárias, totalizando cerca de 19 bilhões de pesos (mais de R$ 70 milhões).
No dia 12 de março, a AFA declarou que as dívidas são inexistentes, atribuindo a questão à pressão do governo do presidente Javier Milei, que propõe modificar a estrutura dos clubes de futebol.
A entidade, presidida por Tapia desde 2017, também está sob investigação por suposta lavagem de dinheiro. Houve em dezembro uma operação de busca relacionada a transações com uma empresa financeira.
O processo se iniciou em 12 de dezembro de 2025, após uma reclamação da Receita argentina sobre o não pagamento de obrigações fiscais, além de contribuições à Previdência em 2024 e 2025.
A Receita apresentou uma extensão da reclamação em 18 de dezembro de 2025, mencionando omissões em vários períodos fiscais de março de 2024 a setembro de 2025.
Tapia afirmou ser incapaz de gerenciar a operação burocrática devido ao tempo fora do país. Blanco Rodríguez e Malaspina também disseram que suas funções eram protocolares. Toviggino apresentou uma defesa técnica, argumentando que a AFA estava agindo de acordo com regulamentações do Ministério da Economia.
O juiz refutou os argumentos das defesas, afirmando que a AFA tinha recursos financeiros suficientes. Destacou que a entidade recebeu significativas transferências de patrocinadores e movimentou grandes quantias por meio de operações de títulos.
Segundo a Justiça, o não pagamento dos impostos teve motivação de lucro e desprezo pela situação dos aposentados. Tapia foi proibido de deixar a Argentina.
O presidente da entidade tem um histórico de enfrentamentos com Milei. Em dezembro, a AFA acusou o governo de tê-la escolhido como "alvo de suas ambições políticas", depois que uma senadora governista denunciou dirigentes da entidade de corrupção.
No tribunal de ética da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), a senadora Patricia Bullrich acusou o presidente da AFA, Claudio "Chiqui" Tapia, e seu tesoureiro, Pablo Toviggino, de terem violado suas políticas anticorrupção e antissuborno.
Procurada, a AFA não comentou o caso. No último sábado (28), a entidade divulgou uma nota celebrando o aniversário de nove anos de gestão de Tapia, qualificando-a como "uma etapa de ordenação, crescimento e projeção para o futebol nacional".
"Desde que assumiu o cargo, a atual administração tem trabalhado de forma constante na normalização institucional, fortalecendo os laços com todos os atores do sistema e promovendo uma estrutura mais sólida, moderna e transparente", diz o texto.