O número de vítimas do chamado “golpe do falso advogado” tem crescido de forma expressiva nas cidades do noroeste paulista, com destaque para Araçatuba, onde a alta recente já preocupa as autoridades de segurança.
Dados da Polícia Civil apontam que, apenas entre janeiro e março deste ano, foram registrados cerca de 100 casos na cidade - praticamente metade de todas as ocorrências contabilizadas ao longo de 2025.
Apesar de não ser uma prática nova, o crime ganhou força em 2026. No ano passado, foram 262 vítimas, com média mensal de 22 registros. Já neste início de ano, a média saltou para aproximadamente 33 casos por mês, indicando avanço significativo da fraude.
Segundo o delegado seccional Getúlio Silvio Nardo, a principal orientação é agir com cautela diante de contatos inesperados, principalmente quando há pedidos de dinheiro sob a justificativa de liberação de valores judiciais.
“O ideal é nunca realizar pagamentos imediatos. A recomendação é procurar o advogado por um número já conhecido ou salvo no celular, e não utilizar o contato fornecido na mensagem, que pode ser fraudulento”, alertou o delegado.
O cuidado deve ser ampliado para qualquer tipo de solicitação financeira recebida por aplicativos de mensagens, não se restringindo apenas a supostos profissionais do Direito.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) passou a disponibilizar recursos digitais que permitem confirmar a identidade de advogados, além de orientar a população sobre como agir em situações suspeitas.
Em parceria com entidades como a Agência Lupa e a plataforma JusBrasil, foi lançada uma cartilha nacional com recomendações práticas. Entre elas, destaca-se a importância de desconfiar de cobranças inesperadas, mesmo quando acompanhadas de dados aparentemente legítimos.
No âmbito federal, a Câmara dos Deputados do Brasil aprovou recentemente um projeto de lei que propõe tipificar esse tipo de golpe de forma específica, além de estabelecer responsabilidades para bancos, empresas de tecnologia e demais setores envolvidos na comunicação digital. A proposta ainda segue em tramitação no Congresso Nacional.
Enquanto isso, autoridades reforçam: a prevenção ainda é a principal arma contra esse tipo de crime.