28 de março de 2026
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Redução de pressão da água é mantida em 10 horas na Grande SP

Por André Fleury Moraes | da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Pablo Jacob/GESP
O armazenamento do Cantareira nesta sexta-feira está em 44% de sua capacidade

A Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) decidiu na última quarta (25) manter restrições para o abastecimento de água em São Paulo e região metropolitana que vigoram desde agosto do ano passado, mantendo em 10 horas diárias o período de redução de pressão. As medidas completam sete meses nesta sexta-feira (27).

A deliberação veio a partir de recomendação do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, integrado por Arsesp e pela SP Águas, a partir de recomendações sobre as condições do Sistema Integrado Metropolitano -que abastece a capital e a Grande São Paulo.

Segundo a gestão estadual, a medida "considera a necessidade de preservação dos níveis dos reservatórios diante do período seco, além do desempenho hidrológico ainda abaixo do ideal em sistemas estratégicos".

A decisão anunciada nesta sexta (27) ocorre no mesmo dia em que os níveis do Sistema Integrado Metropolitano completam 14 dias de estabilidade em faixa que permitiria o fim da redução na pressão da água, que ocorre todos os dias das 19h às 5h.

A maior preocupação se volta ao sistema Cantareira, responsável por cerca de 50% do sistema metropolitano e cujo volume continua inferior na comparação com a série histórica.

O armazenamento do Cantareira nesta sexta-feira está em 44% de sua capacidade. Em 27 de março do ano passado, por sua vez, o volume somava 58,1%, e em 2024 eram 77%. Isso, de acordo com a Arsesp, já sinaliza a necessidade de se manter as restrições.

O sistema vem se recuperando nos últimos meses após atingir níveis críticos entre o final do ano passado, quando sua capacidade estava em 20,2%, e o início de 2026 (22,7%).

As chuvas de fevereiro favoreceram o Cantareira, cujo volume armazenado subiu a 35,8% --nível considerado ainda alarmante, de acordo com o governo estadual. Sem previsão de grandes chuvas para o mês de abril, restou à Arsesp manter as restrições a título preventivo, segundo a agência.

A agência reguladora afirma que avalia aprimorar a metodologia de acompanhamento da crise hídrica para o Sistema Integrado Metropolitano, mas ainda não há uma definição sobre o que deverá ser feito nem sobre quando ele ficará pronto, segundo a Arsesp.

A restrição sobre o abastecimento permanece vigente até que isso seja concluído.

Diretor-presidente da agência reguladora, Diego Allan Vieira Domingues disse nesta sexta-feira que a manutenção das restrições tem caráter preventivo.

O propósito do comitê, de acordo com ele, é justamente projetar cenários futuros e recomendar medidas que evitem eventuais restrições ainda maiores.

"Exatamente por isso se recomendou a manutenção da Gestão de Demanda Noturna em dez horas. É para que a gente evite ao máximo um cenário pior", diz.

Desde que foi implementada, afirma o Governo do Estado, a restrição à vazão de água na região metropolitana permitiu a economia de 115 bilhões de litros de água, volume que "equivale ao consumo mensal das cidades de São Paulo, Guarulhos, São Bernardo do Campo, Mauá e Cotia, juntas".