A ofensiva da Polícia Federal contra um esquema de fraudes bancárias teve desdobramento direto na região de Campinas, com cumprimento de mandados em cidades como Americana, Limeira, Rio Claro, Santa Bárbara d’Oeste, Itapira e a própria metrópole.
Batizada de “Fallax”, a operação mobilizou agentes em três estados e cumpriu dezenas de ordens judiciais. Só na região, foram 20 mandados de busca e nove de prisão, dentro de uma investigação que apura um esquema sofisticado de desvio de recursos financeiros.
14 pessoas foram detidas, enquanto outras sete seguem sendo procuradas. Entre os alvos que ainda não foram localizados está o apontado como líder do grupo, Thiago Branco de Azevedo, morador de Americana.
Divulgação/DPF
As apurações indicam que o grupo atuava de forma organizada, com participação de funcionários de instituições financeiras, que inseriam informações falsas em sistemas bancários para viabilizar operações ilegais. O dinheiro obtido era posteriormente pulverizado por meio de empresas ligadas ao mesmo grupo e convertido em bens de alto valor e ativos digitais.
Entre os investigados há profissionais do setor financeiro, contadores e pessoas usadas para ocultar movimentações, conhecidas como “laranjas”. Parte dos mandados também teve como alvo integrantes do Banco Fictor, incluindo executivos da instituição como o CEO Rafael Góis e o ex-sócio Luiz Rubini.
A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 47 milhões em bens e contas, além da quebra de sigilos de dezenas de pessoas físicas e jurídicas. A estimativa da investigação é que o prejuízo total causado pelo esquema ultrapasse R$ 500 milhões.
Outro ponto investigado é a possível conexão com estruturas criminosas ligadas ao Primeiro Comando da Capital, o que amplia a gravidade do caso.
Os suspeitos poderão responder por uma série de crimes, incluindo organização criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro e corrupção, com penas que, somadas, podem superar meio século de prisão.