Em raros momentos da história, a cadeira de vice do Palácio dos Bandeirantes chamou mais atenção do que a do próprio governador. Em meio à discussão sobre quem será o candidato a vice na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pela reeleição em São Paulo, Felício Ramuth (PSD) adotou um discurso protocolar: disse que a decisão é exclusiva do governador, mas não escondeu o desejo de continuar no cargo pelos próximos quatro anos, caso eleito.
Em entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., na Rádio Difusora, nesta terça-feira, 24, Felício Ramuth também falou sobre a relação com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, atual secretário estadual de Governo e Relações Institucionais de São Paulo e que já manifestou interesse em ser vice de Tarcísio de Freitas. Ele ainda comentou a desistência de Ratinho Jr. (PSD) da pré-candidatura à Presidência da República e analisou o cenário envolvendo Ronaldo Caiado (PSD) e Eduardo Leite (PSD).
Felício Ramuth reforçou que a escolha do vice é uma prerrogativa pessoal do titular do cargo, ou seja, o governador Tarcísio de Freitas. “Eu sempre o deixo muito à vontade para fazer essa escolha no momento certo (…) Meu desejo é estar ao lado do governador, ele vai ter total liberdade”.
Ao tratar das articulações políticas, Ramuth relatou que Tarcísio vem dialogando com partidos e não esconde a preferência pela manutenção da atual composição. Ele apontou que há uma tendência natural de repetição da chapa, mas destacou que a decisão ainda será tomada. “Ele tem conversado com partidos políticos, tem dito da preferência que ele gostaria de repetir a chapa. É natural. Tem aquela velha máxima que às vezes dá certo: 'time que está ganhando, não se mexe'”.
Ramuth afirmou que o governador deve se reunir em breve com Gilberto Kassab para tratar do assunto. “Tem que trabalhar, tem que conversar, já conversou com todos os presidentes de partido, deve conversar com o presidente Kassab, presidente do meu partido (...) O Kassab está, nos últimos dias, bastante agitado, mas com certeza ele vai sentar com o governador.”
Felício Ramuth minimizou a possibilidade de um conflito entre o partido e o governo que levasse à necessidade de trocar de legenda para seguir como vice. “Eu conheço o Kassab há algum tempo, ele tem essa arte da política, a gente aprende constantemente com ele. Eu não acredito... Eu nunca vi de fato o Kassab chegar a um ponto de rompimento, assim, com uma liderança política, um governador bem avaliado.”
Ele também rejeitou a possibilidade de concorrer ao Legislativo. “Eu não tenho pretensão de ser candidato ao Senado ou deputado federal (…) Eu tenho um perfil de executivo, é o que eu gosto de fazer”, afirmou, ao relatar que já comunicou essa posição a Gilberto Kassab.
Para Ramuth, o governador do Paraná, Ratinho Jr., “era uma grande opção” para o Palácio do Planalto, destacando o bom desempenho no Estado e o perfil jovem. “Tinha um grande caminho pela frente”, afirmou, ponderando que a decisão de desistir é pessoal e “não cabe contestação”.
Ao analisar os possíveis nomes no campo político, Ramuth adotou um tom pragmático e traçou diferenças ideológicas entre os pré-candidatos. Segundo ele, Ronaldo Caiado representa uma direita mais definida, enquanto Eduardo Leite ocupa uma posição mais ao centro. Já Ratinho Jr., em sua avaliação, se enquadrava como “centro-direita moderada”, perfil com o qual disse ter mais afinidade.
O vice-governador também projetou o comportamento de Caiado na disputa e afirmou acreditar que o governador goiano deve manter a pré-candidatura. Na leitura de Ramuth, “pelo andar da carruagem”, ele não deve abrir mão da oportunidade - possivelmente, a última chance de disputar o Palácio do Planalto.
Apesar de reconhecer o perfil combativo de Caiado, Ramuth indicou preferência por uma candidatura mais moderada. Do ponto de vista do discurso, afirmou que seria mais adequado alguém “um pouco mais ao centro”, avaliando que uma linha mais à direita pode limitar o alcance do debate político. “Acho que o discurso vai ficar muito próximo do de Flávio Bolsonaro”, disse, ao comparar com o candidato do Partido Liberal.