20 de março de 2026
INTIMIDAÇÃO

Baixa patente temeu que coronel apagasse provas; leia diálogos

Por | da Rede Sampi
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Inquérito policial via G1
Neto está preso preventivamente e responde por feminicídio e fraude processual.

Gravações de câmeras corporais mostram que um cabo da PM demonstrou receio de que o tenente-coronel Geraldo Neto apagasse vestígios ao insistir em tomar banho após a morte da esposa, a soldado Gisele Alves, no apartamento do casal no Brás, Centro de São Paulo. Os registros foram obtidos pelo G1.

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As imagens foram registradas em 18 de fevereiro. Gisele foi baleada na cabeça, socorrida e morreu no hospital no mesmo dia. Neto está preso preventivamente e responde por feminicídio e fraude processual, sob suspeita de alterar a cena do crime para simular suicídio.

Nos vídeos, o oficial insiste em entrar no banheiro, apesar das orientações para preservar o local até a perícia.

O diálogo foi registrado pela câmera corporal:

Cabo: O senhor não saiu do banho agora? O senhor falou que estava tomando banho.

Tenente-coronel: Irmão, eu entrei no banho (ligou o chuveiro) eu tava aqui tomando banho, dai eu escutei o barulho e eu abri a porta, quando abri eu vi minha esposa, peguei essa bermuda que tava aqui em cima, vesti a cueca e a bermuda, que eu não cheguei a tomar banho, eu nem fiz a barba ainda ó, a barba eu faço durante o banho, fazia um minuto que eu tava em baixo do chuveiro irmão.

Cabo: É que o senhor sabe da burocracia que é né, você sabe da burocracia que é na PM, então quanto mais rápido agilizar se o senhor puder só colocar uma camiseta.

Tenente-coronel: Irmão, eu tenho 34 anos de serviço. Eu sei o que eu to falando. Eu vou tomar banho, irmão.

Cabo: O senhor não quer colocar uma camiseta e um short rapidinho.

Tenente-coronel: Não eu não vou, eu não tô bem para ir assim, eu vou tomar um banho.

Em outro momento, o cabo relata a um superior a preocupação com possível perda de provas:

Cabo (falando para um capitão): O cara vai lavar a mão, caralho.
Cabo: Ele vai fazer residuográfico antes né?

Tenente: Depende do que o perito falar, eu não vi nada.

Cabo: Vai deixar ele tomar banho e tudo?

Tenente: Ah, não tem como ele ir assim.

Cabo: Se tomar banho vai perder tudo os baguio [vestígios] da mão, e as conversas dele tá estranha… porque se fosse um paisano a gente já arrasta pra perto…

Após o banho, Neto apareceu de camiseta, calça jeans e tênis. O exame residuográfico posterior não identificou resíduos de pólvora em suas mãos.

Ainda no dia 18, um coronel determinou que apenas ele, Neto e um desembargador permanecessem no local. À noite, houve novas entradas no apartamento e retirada de roupas.

A defesa de Neto sustenta que se trata de suicídio. A Secretaria da Segurança Pública informou que, caso sejam constatadas irregularidades na conduta de agentes, medidas serão adotadas.

Com informações do g1.