17 de março de 2026
PROBLEMA URBANO

'Cidade inteligente' convive com 'lixão a céu aberto' há 10 anos

Por Ana Lígia Dal Bello | da Rede Sampi
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Kaona Bernardes
Há pelo menos dez anos, pessoas fazem do lugar um depósito de lixo a céu aberto.

São José dos Campos (SP), com seus 700 mil habitantes, é a primeira Cidade Inteligente, Sustentável e Resiliente do Brasil, certificada pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) com nível máximo - Platina/Ouro. É também a primeira no mundo com a norma ESG (acrônimo para Ambiental, Social e Governança, em português). O município se destaca pela alta tecnologia em segurança (CSI - Centro de Segurança e Inteligência), mobilidade elétrica (Linha Verde) e inovação urbana.

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Ainda assim, convive com problemas comuns a qualquer outra cidade, como o de lixo e resíduos despejados irregularmente, por parte da própria população, em vias públicas.

Moradores do Torrão de Ouro, bairro da região sudeste da cidade, já pediram não só limpeza, mas também fiscalização e punição para quem faz do canteiro da Estrada Municipal José Augusto Teixeira um depósito de lixo a céu aberto. O problema persiste há pelo menos dez anos.

Um dos munícipes relata que na última sexta-feira (13), por exemplo, um funcionário da prefeitura esteve lá e retirou parte do lixo. No dia seguinte, o volume de resíduos já havia aumentado, de novo.


Foto após limpeza da prefeitura.


Foto de outro ângulo: segundo o morador, parte do lixo ficou
no local e um muro foi derrubado pela máquina de recolher objetos.

"O pessoal joga de tudo: móvel, colchão, peças de carro, vidro, entulho, e muitas vezes vem para a frente da minha casa. Aqui é uma luta. Direto, eu abro protocolo pedindo câmera, pedindo placa. Vem gente de fora (do bairro) jogar lixo aqui, e o local fica a 2 km da Urbam. E eu sou o único, o único que varre e limpa aqui. Se colocarem placa proibindo (descarte irregular) e câmera, se começarem a 'canetar' os caras, eles param na hora, como aconteceu no Morumbi", desabafou o biólogo Kaona Bernardes, de 38 anos, vizinho do local.

"Tem vários ratos ali, pombos. Ontem mesmo, ao sair de casa, eu vi aqueles caramujos africanos grudados no meu portão. Ele se alimentam das fezes dos ratos e podem transmitir meningite. Se colocarem câmera ali, já será um adianto", disse.


Protocolos abertos por munícipe

Outro lado

O portal SAMPI solicitou resposta da Prefeitura de São José dos Campos sobre o problema. Via nota, a Secretaria de Manutenção da Cidade informou que o local recebe limpeza periódica, e esclareceu que a população deve contribuir para manter a ordem na cidade, despejando lixo nos locais corretos e não em vias e áreas públicas.

A pasta acrescentou que há coletas em 100% da cidade, diariamente, e que a população também tem à disposição os serviços de 15 PEVs (Pontos de Entrega Voluntária), que, gratuitamente, recebem materiais recicláveis e fazem a retirada de eletroeletrônicos em domicílio.

"A população também deve contribuir com a organização e zeladoria da cidade acionando a Central 156 para denúncias, reclamações e solicitação de serviços públicos", concluiu a pasta.

A Secretaria de Proteção ao Cidadão também foi acionada e respondeu que "as câmeras de monitoramento do CSI (Centro de Segurança e Inteligência) têm como finalidade principal o apoio às ações de segurança pública, podendo também ser utilizadas para outros controles administrativos".

A pasta acrescentou que "toda solicitação de movimentação ou alteração de equipamentos é submetida à análise de comissão responsável, a qual avalia a conveniência e a oportunidade da medida", e não informou se analisa o pedido neste caso do Torrão de Ouro.