05 de março de 2026
FIM DE UMA ERA

Grupo Belarmino e empresas do atual transporte perdem contrato

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Flávio Paradella
Conglomerados que comandavam ônibus da cidade há anos foram derrotados na nova concessão bilionária definida em leilão na B3, em São Paulo.

A licitação que vai definir o novo sistema de transporte coletivo de Campinas marcou o fim de um ciclo histórico no setor. Após anos à frente da operação dos ônibus da cidade, os grupos ligados ao conglomerado Belarmino e ao consórcio formado por empresas que já atuavam no sistema campineiro foram derrotados no certame realizado nesta quinta-feira (5), na sede da B3, em São Paulo.

Com o resultado do leilão, as empresas que controlavam o transporte coletivo deixam o sistema, abrindo espaço para novos operadores. O modelo vigente era operado por companhias vinculadas ao chamado Grupo Belarmino, responsável pela VB Transportes, além do consórcio formado por Expresso Campibus, Onicamp Transportes e Itajaí Transportes Coletivos, que integravam a estrutura atual do sistema municipal.

No novo modelo, os dois lotes da concessão foram vencidos por outros grupos. O Lote Sul, que reúne as regiões Leste, Sul e Sudoeste da cidade, ficou com a Sancetur - Santa Cecília Turismo Ltda, ligada ao empresário Marco Antonio Abi Chedid. Já o Lote Norte, que engloba as regiões Norte, Oeste e Noroeste, foi arrematado pelo Consórcio Grande Campinas.

Derrota dos atuais operadores

O consórcio que representava os operadores atuais do sistema participou da disputa, mas acabou superado pelos concorrentes. No Lote Sul, o Consórcio VCP Mobilidade, formado por empresas ligadas à operação existente (Campibus, Onicamp e Itajaí), perdeu a disputa para a Sancetur.

Já no Lote Norte, o Consórcio Mov Campinas, ligado ao conglomerado Belarmino, também não conseguiu superar a concorrência e ficou fora da nova concessão.

Com isso, as empresas que operaram o transporte coletivo campineiro por anos deixam o sistema ao final do processo de transição da nova concessão, encerrando um ciclo que marcou o transporte urbano da cidade nas últimas décadas.

Como foi o leilão


Divulgação/PMC

A sessão pública de abertura das propostas financeiras durou cerca de duas horas e reuniu representantes das empresas, autoridades municipais e integrantes do setor de mobilidade urbana.

No Lote Sul, a tarifa de remuneração partiu de R$ 11,21. Após a disputa de lances, a Sancetur venceu ao oferecer R$ 9,54, o que representa deságio de 14,9%.

Já no Lote Norte, a tarifa inicial era de R$ 11,76. Depois de uma sequência de lances, o Consórcio Grande Campinas apresentou a proposta vencedora de R$ 9,49, com deságio de 19,3%.

A chamada tarifa de remuneração é diferente da tarifa paga pelo usuário na catraca. O valor serve como base para calcular os custos da operação, considerando investimentos e despesas do sistema.

Nova concessão

O novo contrato prevê a concessão do transporte coletivo por 15 anos, com possibilidade de prorrogação por mais cinco.

Além da operação das linhas de ônibus, o contrato inclui:

A nova concessão também prevê renovação da frota com veículos menos poluentes, incluindo ao menos 60 ônibus elétricos nos primeiros anos de operação. Os demais veículos deverão seguir o padrão ambiental Euro 6, além da possibilidade de uso de biometano, GNV ou hidrogênio.

Investimentos previstos

O edital estima R$ 1,7 bilhão em investimentos na renovação da frota ao longo da concessão. Desse total, cerca de R$ 900 milhões serão aplicados nos primeiros cinco anos e R$ 800 milhões na década seguinte.

Outros R$ 1,9 bilhão devem ser direcionados para tecnologia embarcada, infraestrutura e melhorias em terminais e estações.

O sistema de bilhetagem eletrônica também será reformulado. A gestão será feita por uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com participação do poder público e das novas operadoras, enquanto a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas terá participação estratégica e função de fiscalização do sistema.

Se não houver questionamentos jurídicos ou impedimentos no processo de habilitação, a expectativa da Prefeitura de Campinas é que os contratos sejam assinados ainda neste semestre, abrindo caminho para a implantação do novo modelo de transporte coletivo na cidade.