O vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL) esteve na USP (Universidade de São Paulo) no início da tarde desta quarta-feira (4). A visita terminou em confusão, com alunos e membros da equipe do político feridos. Um aluno de graduação foi hospitalizado com a suspeita de lesão no tendão de Aquiles.
Pavanato montou uma barraca na praça do relógio, no centro da Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste. O estande tinha uma placa afirmando que "aborto é assassinato". Segundo ele, a intenção era dialogar com os estudantes sobre o tema.
Estudantes intervieram ligando uma caixa de som e começaram a gritar "recua fascista, recua" para o vereador, acompanhado por uma equipe de apoiadores e seguranças armados. Logo, começou uma confusão.
De acordo com relatos de alunos, a equipe de Pavanato os agrediu, usando até spray de pimenta. Os estudantes revidaram, e o vereador entrou num carro para deixar a Cidade Universitária.
Nesse momento, ainda de acordo com os relatos, um estudante colocou sua bicicleta em frente ao veículo. Ele teria sido empurrado e levado socos e chutes de um grupo composto por, ao menos, cinco pessoas, precisando ser hospitalizado.
Outros alunos da universidade tiveram cortes e hematomas. A Polícia Militar foi acionada e instruiu todos a registrarem boletins de ocorrência.
Pavanato diz ter ido ao campus dialogar e, ao ser agredido, sua equipe agiu em legítima defesa. Ele afirma que uma garrafa foi quebrada em sua cabeça e um líquido espirrado em sua boca, causando ardor. "Estavam jogando pedras, pedaços de pau. Meu carro foi quebrado e equipamentos, furtados."
Uma vereadora do interior que o acompanhava, relata, teria sido agredida por um homem. A ocorrência será registrada, informa o mandato.
Sobre os seguranças armados, Pavanato diz serem necessários. "Já recebi várias ameaças de morte, inclusive de alunos da USP, hoje, no Twitter."
Em nota, a universidade disse repudiar "qualquer tipo de violência que imponha restrições ao exercício da liberdade de opinião dentro dos limites da convivência republicana".
"A Universidade é, por excelência, o espaço do debate plural, do questionamento crítico, da convivência entre diferentes perspectivas e visões de mundo. A Universidade é o espaço correto para que se dê voz a diferentes opiniões, ao direito da sua expressão, resguardados, obviamente, os princípios da democracia, respeitosa, mútua entre as diferentes vozes que possam ter visões de mundo diferentes", informou a reitoria.
O DCE (Diretório Central dos Estudantes) Livre da USP diz ser comprometido com a defesa da universidade pública e com o enfrentamento à extrema direita. "Pessoas como Lucas Pavanato, um provocador oportunista que usa dinheiro público para atacar estudantes, não são bem-vindas na nossa universidade."
Antes de ir ao Butantã, na zona oeste da cidade, Pavanato esteve na Faculdade de Direito, no centro da capital, para realizar o mesmo ato. Lá, porém, os estudantes decidiram ignorá-lo.
Em 2025, militantes de um grupo chamado União Conservadora e o vereador Lucas Pavanato estiveram no campus da USP em oito oportunidades. O alvo principal é a FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas).
De acordo com os estudantes, os episódios geralmente acontecem quando políticos e militantes entram na Cidade Universitária com câmeras e celulares para gravar vídeos e fazer provocações. O objetivo, dizem, é produzir recortes que circulam nas redes sociais com a intenção de criar uma narrativa contra o ensino superior público.
A reitoria, à época comandada por Gilberto Carlotti Júnior, ofereceu reforço na segurança da unidade e acionou a Secretaria de Segurança Pública do estado.