A ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã inaugura um conflito de desfecho imprevisível e já com impactos além das fronteiras iranianas. A avaliação é dos analistas Rajan Menon e Daniel R. DePetris, que apontam risco de escalada regional e efeitos duradouros no Oriente Médio.
O presidente Donald Trump justificou a operação citando o histórico de confrontos com Teerã desde 1979, apoio a grupos armados e a ameaça de avanço nuclear. Apesar de negociações recentes em Genebra, mediadas por Omã, nas quais o Irã teria aceitado limitar o enriquecimento de urânio e ampliar inspeções, a Casa Branca optou pela ação militar.
Para os autores, a meta de Washington e de Israel vai além do programa nuclear e inclui a queda da República Islâmica. A morte do líder supremo Ali Khamenei reforçou a percepção, em Teerã, de que o regime está sob ameaça direta, o que reduz a chance de recuo.
O conflito já se espalhou. Além de atacar Israel, o Irã lançou mísseis contra países árabes alinhados aos EUA que abrigam bases americanas, como Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos. Há ainda o risco de bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo global.
Os analistas alertam que, mesmo sem envio de tropas terrestres, bombardeios não garantem a derrubada do regime. Uma eventual mudança de poder pode gerar instabilidade prolongada, como ocorreu no Iraque, na Líbia e no Afeganistão. Diante desse cenário, concluem, ninguém é capaz de prever os rumos da guerra ou suas consequências globais.
Com informações do The Guardian