O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta sexta-feira (27) que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), é “um ótimo candidato para tudo”, em meio às articulações da base governista para as eleições de 2026, especialmente em São Paulo.
A declaração foi dada durante coletiva no estado e ocorre em um momento de intensificação das conversas sobre a formação de palanques regionais e a estratégia nacional do governo. “Haddad é um ótimo candidato para tudo, tem espírito público, experiência e capacidade de trabalho”, afirmou Alckmin ao ser questionado sobre o cenário eleitoral.
A fala foi interpretada por aliados como um gesto público de alinhamento e fortalecimento do nome do ministro petista para a disputa ao governo paulista, considerada estratégica pelo Palácio do Planalto.
Na próxima semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir com Haddad e Alckmin para discutir o desenho eleitoral em São Paulo. O estado é visto como peça-chave na eleição presidencial e na consolidação da base aliada no Congresso.
Segundo relatos de bastidores, Lula avalia que Haddad é o nome mais competitivo do campo governista para enfrentar a oposição no estado. Ao mesmo tempo, quer que Alckmin - ex-governador paulista e figura com forte inserção no interior - atue como articulador regional, ajudando a ampliar alianças e reduzir resistências.
Alckmin afirmou que ainda não havia sido oficialmente comunicado sobre detalhes da reunião, mas indicou disposição em participar das definições. “Sempre que chamado, estarei à disposição”, disse.
Nas últimas semanas, aumentou dentro do PT a pressão para que Haddad deixe o Ministério da Fazenda e oficialize sua candidatura ao governo de São Paulo. Integrantes da cúpula partidária avaliam que o ministro reúne capital político e visibilidade suficientes para encabeçar uma disputa competitiva.
Até o momento, Haddad não anunciou publicamente qualquer decisão. Auxiliares afirmam que a definição dependerá da avaliação conjunta com Lula e da consolidação de alianças estaduais.
Maior colégio eleitoral do país, São Paulo é tratado como prioridade pelo governo federal. A estratégia passa por montar um palanque robusto que fortaleça tanto a disputa estadual quanto a candidatura presidencial de Lula à reeleição.
O elogio público de Alckmin, dirigente do PSB e aliado central do governo, ocorre nesse contexto e sinaliza tentativa de unificar o discurso da base. Ao classificar Haddad, principal nome do PT em São Paulo, como “ótimo candidato”, o vice-presidente reforça a narrativa de coesão interna e antecipa um movimento que deve ganhar contornos mais claros após a reunião no Planalto.
Nos bastidores, aliados consideram que março será decisivo para a definição do cenário paulista e para a consolidação das chapas que disputarão as eleições de 2026.