A concorrência que vai definir o futuro do transporte coletivo de Campinas reúne empresas que já operam em diversas cidades do Estado e até fora dele, conforme a Ata da Sessão Pública que o Portal Sampi Campinas teve acesso. A disputa, conduzida pela administração municipal, envolve dois lotes operacionais e contratos estimados em cerca de R$ 11 bilhões ao longo de 15 anos.
A licitação que vai desenhar o transporte de Campinas pelos próximos 15 anos não é apenas uma briga local; é um tabuleiro onde jogam conglomerados da mobilidade nacional. A disputa na B3 revelou um mapa de operadores que conectam a cidade à capital paulista, ao Rio de Janeiro e até ao Sul do país. De grupos tradicionais de Campinas e região a consórcios com tentáculos em Santa Catarina, as empresas agora aguardam a análise financeira para saber quem terá a chave do sistema até 2041.
São seis propostas apresentadas. Uma das empresas disputa os dois lotes. Em outros casos, há companhias que aparecem em consórcios diferentes, com estruturas societárias interligadas.
A Sancetur – Santa Cecília Turismo Ltda. concorre nos dois lotes. Ligada à família Chedid, atua em mais de 20 cidades do interior e do litoral paulista, operando sob a marca “SOU”.
Além do interior de São Paulo, também participa de sistemas em outros estados, como no município do Rio de Janeiro. Nos últimos anos, ganhou espaço em contratos emergenciais e licitações municipais.
O Consórcio Mov Campinas, que disputa o Lote Norte, está ligado ao Grupo Belarmino. O conglomerado já opera em Campinas por meio da VB Transportes.
Fora da cidade, o grupo atua na capital paulista com a Sambaíba Transportes Urbanos, uma das maiores frotas de São Paulo. Também mantém operações em municípios como Sumaré, Paulínia, Vinhedo, Nova Odessa, Monte Mor, Itu, Avaré, Boituva e São João da Boa Vista, entre outros.
O Consórcio Grande Campinas reúne empresas com atuação pulverizada:
Parte dessas empresas já enfrentou questionamentos administrativos em outros municípios, todos contestados pelos operadores.
No Lote Sul, o Consórcio Andorinha reúne Rhema Mobilidade, New Hope e WMW — duas delas também integrantes do Consórcio Grande Campinas.
A New Hope atua no setor de transporte e terceirização, com registros empresariais na Grande São Paulo e interior.
O Consórcio VCP Mobilidade envolve empresas que já operam em Campinas, como Expresso Campibus, Onicamp e Itajaí Transportes.
Essas companhias já prestam serviços no sistema municipal e mantêm atuação também em outras cidades da região. A estrutura societária inclui holdings sediadas em Ribeirão Preto e empresas com base no Espírito Santo.
O retrato da disputa mostra operadores:
Divulgação/EMDEC
A licitação que vai definir o novo modelo do transporte coletivo de Campinas entrou em fase decisiva na última quarta-feira (25), com a entrega dos envelopes na sede da B3, no centro da capital paulista. Ao todo, foram protocoladas seis propostas apresentadas por cinco grupos econômicos interessados na concessão.
Participam do certame o Consórcio Andorinha, Consórcio Grande Campinas, Consórcio Mov Campinas, Consórcio VCP Mobilidade e a empresa Sancetur (com propostas para os dois lotes).
A entrega da documentação ocorreu entre 10h e 12h. Às 12h30 teve início a abertura do Envelope 1, contendo credenciais e garantias financeiras das proponentes. A sessão foi acompanhada por integrantes da comissão de licitação, representantes da Secretaria de Transportes, da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), da Secretaria de Administração, da Procuradoria-Geral do Município e pela imprensa. A cerimônia foi transmitida ao vivo pela TV B3.
O edital divide a operação em dois blocos:
Foram apresentadas três propostas para cada lote. A melhor oferta em cada um será declarada vencedora.
Os envelopes 2 e 3 permanecem lacrados em cofre da B3 e serão abertos no próxima quinta-feira, dia 5 de março, às 14h. Nessa fase, serão conhecidos os valores ofertados pelas empresas.
Após a classificação, a vencedora deverá apresentar planilha atualizada e, em seguida, será aberto o terceiro envelope, com os documentos de habilitação jurídica, técnica e econômico-financeira. Não havendo impedimentos, o processo segue para homologação e assinatura do contrato.
O contrato de concessão terá duração de 15 anos, prorrogáveis, com valor estimado em R$ 11 bilhões ao longo do período.
O objeto inclui:
Estão previstos R$ 1,7 bilhão para renovação da frota — sendo quase R$ 900 milhões nos primeiros cinco anos e mais R$ 800 milhões nos dez anos seguintes. Outros R$ 1,9 bilhão devem ser aplicados em tecnologia e infraestrutura.
A concorrência ocorre após adiamento para correções no cálculo do Fator de Utilização (FU), índice que impacta diretamente o custo operacional da planilha. A errata foi publicada no Diário Oficial, permitindo a retomada do cronograma.
Se não houver questionamentos ou impugnações judiciais, a expectativa é que a concessão saia do papel ainda neste semestre, iniciando uma nova fase para o sistema de transporte da cidade.