É preciso devolver o Centro Histórico à cidade. O Centro fervilhava. Era o coração palpitante da cidade. Hoje, acende-se uma luz sobre estes tempos, de doces lembranças. As grandes cidades estão descobrindo, na velha receita do passado, a revitalização da sua vida noturna. Projetos estão sobre a mesa. O prefeito Gustavo Martineli colocou todos os seus colaboradores em ação, os comerciantes se animaram e estão dispostos, a maioria da população só tem a agradecer.
Quem nãohá de se lembrar do “point” na Paulicéia, onde vicejava a juventude saudável, na paquera das moças bonitas.
Os dois grandes cinemas, o Marabá na rua do Rosário e o Ipiranga na rua Barão, ponto de encontro obrigatório nas sessões de sábados. As agitadas brincadeiras dançantes no Clube Jundiaiense e no Grêmio da Rangel. A saída da missa matinal aos domingos, tanta gente graciosa e elegante. A “caipirinha” do Bar Redondo, os salgadinhos do restaurante Dada, a batida de coco e o “croquetinho” do Haiti, o filé com fritas da Cantina Jundiaiense.
Os bares da noite. Ah! Os bares de então.
O Saveiro com suas cortinas vermelhas, que reluziam no copo de campari “on the rock”. O creme de aspargos, na madrugada fria. O bar do Lula com seu incomparável sanduíche de pernil. O Mirim Dog com seus deliciosos lanches. O aconchegante Shangri-la. O Zé do Papagaio. O Urso Branco. O nostálgico Bar da Vela do incansável Zinho com suas pescadas brancas grelhadas na brasa..O Ponto Chic. A Lanchonete Brasília. Saveiro, Cantina jundiaiense, A Paulicéia, Dada, Haiti, Urso Branco, o ETC.
E, ao abrir este álbum da memória, chegamos na página do Crystal Chopp. Rua do Rosário, 411. Ambiente que excitou as noites de Jundiaí.
Por ali, tivemos contato mais próximo com grandes nomes do nosso cancioneiro popular.
O charmoso Crystal era passagem e parada obrigatória. Sua porta aberta não só revelou, mas deu oportunidade, no seu palco, o prazer de se conhecer jundiaienses, de enorme talento musical.
Grandes noites com o sempre Dorival Amadi, o Dori do “camaro vermelho”. A expressiva Jane Prado. A eterna beleza de Sofia. O violão mágico do Neguinho. A adorável Tina e seu piano romântico. Não se podendo esquecer do saudoso Nonô e seu conjunto.
A mesa simples, o papo descontraído, o saboroso petisco, o gostoso aperitivo estão atraindo gente de todas as idades e paixões. Basta estar num destes lugares para sentir a palpitação das vidas individuais. Não há modismos, nem melindres.
Gente de todas as cores, raças e amores.
O tempo transcorreu, mas por certo dá voltas nas coisas boas. Para mim e tantos outros amigos, este tempo jamais foi esquecido.
Estas suaves lembranças nos fazem sentir que ainda a vida merece ser vivida com o fervor de cada momento. Centro Histórico, que faz parte da minha própria história pessoal afetiva e acredito da maioria da população da cidade. Precisamos nos reencontrar nestes tempos. Tempos que me deram felicidade, quando mais ansiávamos por ser feliz.
Guaraci Alvarenga é advogado