25 de fevereiro de 2026
ELEIÇÕES 2026

Rascunho com anotações de Flávio sugere troca de vice de Tarcísio

da Rede Sampi
| Tempo de leitura: 3 min
Jefferson Rudy/Agência Senado
O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

Anotações feitas pelo pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante reunião da cúpula do partido, na terça-feira (24), revelam estratégias eleitorais e avaliações reservadas sobre aliados e rivais nos estados. As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo. O rascunho sugere troca do vice do governador de São Paulo,Tarcísio de Freitas (Republicanos), e preocupação com a disputa em Minas Gerais.

O documento, intitulado "situação nos estados", reúne nomes cotados para governos estaduais e Senado com observações manuscritas. Flávio confirmou a autoria das notas, mas afirmou que parte dos registros reflete opiniões ouvidas no encontro.

"As anotações que tinham naquele pedaço de papel, não são o que eu penso. As pessoas com quem eu conversei falavam sobre suas impressões, suas opiniões, e eu anotava naquele papel para, num segundo momento, aproveitar ou não o que as pessoas estavam falando para mim", disse.

São Paulo concentra articulações

No topo do rascunho aparece "ligar Tarcísio", em referência ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que deve disputar a reeleição.

As anotações tratam especialmente da formação da chapa paulista. O vice-governador Felício Ramuth (PSD), preferido de Tarcísio, aparece ligado a um cifrão. Ramuth é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e nega irregularidades.

Logo abaixo surge a pergunta "André do Prado vice?", numa menção ao presidente da Assembleia Legislativa, filiado ao PL.

Para o Senado em São Paulo, o deputado Guilherme Derrite (PP) é citado como nome da chapa bolsonarista. A segunda vaga, a ser definida pelo PL, traz cinco possibilidades: Renato Bolsonaro - irmão do ex-presidente -, Mario Frias, Eduardo Bolsonaro, Ricardo Mello Araújo e Marco Feliciano.

Minas, Pernambuco e Alagoas

Em Minas Gerais, o vice-governador Mateus Simões (PSD), pré-candidato ao governo, é alvo de ressalva: "me puxa para baixo".

"Se for candidato", segue a anotação sobre Simões, "Cleitinho e Pacheco também são", diz o papel, citando os senadores Rodrigo Pacheco (PSD) e Cleitinho Azevedo (Republicanos).

Também aparece Flávio Roscoe como alternativa ao governo mineiro, com a observação "conversa com Nikolas", referência ao deputado Nikolas Ferreira (PL).

Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) é apontada como apoiada pelo PL. As notas indicam apoio dela ao deputado Mendonça Filho para o Senado. O deputado Coronel Meira apoiaria o arranjo, enquanto "só Gilson não gosta", em referência a Gilson Machado.

Em Alagoas, surgem como possíveis candidatos ao governo o prefeito de Maceió, JHC (PL), e o deputado Alfredo Gaspar. Ao lado de Gaspar está escrito: "Único que pedirá voto para mim". Para o Senado, há a anotação "Arthur (JB)", sinalizando eventual apoio de Bolsonaro a Arthur Lira.

DF e Mato Grosso do Sul

No Distrito Federal, a formação prevista incluiria Celina Leão ao governo e Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado. O rascunho ressalva que "se Ibaneis [Rocha, do MDB] for candidato ao Senado, não dá para oficializar com Celina", em referência ao governador Ibaneis Rocha.

No Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel é citado como provável apoiado do PL. Para o Senado aparecem Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, com a observação "Recall/melhor nas pesquisas".

Sobre o deputado Marcos Pollon, consta: "Pollon (pediu 15 mi para não ser candidato)".

Procurado pela reportagem, Pollon diz que a anotação "não faz o menor sentido".

"Eles sabem que eu não trabalho desse jeito. Quem trabalha com militância não precisa de dinheiro. Isso é uma campanha de assassinato de reputação porque sabem que não estou à venda e não me dobro a acordos", disse.

Também há menção a Gianni Nogueira, esposa do deputado Rodolfo Nogueira. "Mulher Rodolpho (pediu 5 mi)", diz.

Flávio negou que pedidos de dinheiro tenham ocorrido.

"Já está sendo distorcido pela imprensa, como se ele tivesse pedido alguma coisa para deixar de ser candidato. Estava escrito ali: Pollon pediu R$ 15 milhões para não ser candidato. Aquilo nunca aconteceu, a parte da imprensa que estiver falando que ele pediu isso é mentira. [...] Dá a entender que ele teria pedido, mas na verdade eu anotei para avisá-lo de que estavam falsamente divulgando isso", disse.