A guerra entre o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) já deixa um rastro de chacinas, execuções com fuzil e crimes de extrema brutalidade, como a carbonização de corpos (prática conhecida no submundo do crime como “micro-ondas”).
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Tendo o Vale do Paraíba e o Litoral Norte como palco, além das regiões de Araras, Piracicaba, Rio Claro e Limeira, o avanço do CV em território paulista, revelado por OVALE, rompeu um antigo equilíbrio criminoso e desencadeou uma reação violenta do PCC, resultando em uma escalada de homicídios que colocou a região entre as mais letais do estado de São Paulo.
"O monitoramento policial identificou uma sucessão de crimes violentos iniciada em 2022, incluindo execuções com o uso de fuzis, homicídios de lideranças, carbonização de corpos e até uma chacina em represália a mortes anteriores", informou o Ministério Público.
Segundo investigadores, o conflito gira em torno do controle de pontos estratégicos do tráfico de drogas, especialmente em cidades do Vale Histórico e do Litoral Norte, corredores considerados fundamentais para o escoamento de entorpecentes vindos do Rio de Janeiro.
Nesse cenário, cada biqueira virou uma trincheira. Execuções passaram a ocorrer em plena luz do dia, muitas delas com uso de armas de grosso calibre, incluindo fuzis de uso restrito. Em alguns casos, os crimes foram cometidos como retaliação direta a mortes anteriores, alimentando uma cadeia de vinganças sucessivas.
As investigações revelam que a guerra entre as facções atingiu um novo patamar de crueldade nos últimos anos. Além de chacinas, foram registrados assassinatos seguidos de carbonização de corpos, prática usada para intimidar rivais, apagar vestígios e enviar recados claros de domínio territorial.
Fontes do setor de inteligência apontam que esse tipo de crime passou a ser adotado como estratégia para impor medo à população e consolidar áreas sob controle das facções.
Dados analisados pelas forças de segurança indicam que seis das dez cidades com maiores taxas de homicídio de São Paulo estão no Vale do Paraíba e no Litoral Norte. A infiltração do Comando Vermelho na região começou há cerca de uma década, quando a facção carioca aproveitou um período em que o PCC concentrava esforços no tráfico internacional. Cidades como Lorena, Bananal, Cruzeiro, Ubatuba e Caraguatatuba se tornaram portas de entrada do CV.
Com o avanço, o PCC reagiu para retomar o controle do mercado local. Desde então, o confronto se intensificou, alternando períodos de trégua com novas ondas de violência. “O PCC decidiu retomar os pontos perdidos. A partir daí, começou uma troca constante de ataques, com mortes dos dois lados”, afirmou uma fonte ligada ao combate ao crime organizado.
Em entrevista exclusiva a OVALE, o governador Tarcísio de Freitas reconheceu oficialmente a presença de facções do Rio de Janeiro no Vale do Paraíba e a disputa direta com o PCC.
“O Vale é mais violento porque há uma tentativa de invasão de facções do Rio e uma reação da facção que domina São Paulo. Cerca de 80% dos homicídios no Brasil estão ligados à disputa por pontos de tráfico”, afirmou o governador.
Para conter a escalada, o Gaeco e a Polícia Militar passaram a atuar de forma integrada com forças do Rio de Janeiro e Minas Gerais, em operações que incluem bloqueios em rodovias, cumprimento de mandados e monitoramento de lideranças criminosas.
Apesar das ações, investigadores admitem que o conflito segue ativo e que o controle territorial continua sendo disputado bairro a bairro.