A política é cíclica. Em Campinas, esse movimento é quase didático. Até o início de fevereiro, o centro do palco era Otto Alejandro (PL). Sessões tensas, CP, Corregedoria, punição disciplinar branda e o encerramento ritual do caso. Virada a página — ao menos oficialmente — a maré mudou de lado. Agora, o nome da vez é Permínio Monteiro.
A Câmara Municipal de Campinas parece ter entrado em modo automático de empilhamento de CPs. Só neste comecinho de fevereiro, quatro pedidos de Comissão Processante foram protocolados. Um ambiente de pressão permanente, em que o instrumento mais extremo do Legislativo vira quase protocolo de rotina — e, por isso mesmo, perde força política.
No caso de Permínio, o roteiro já é conhecido. O primeiro pedido de CP, fundamentado na condenação por improbidade administrativa no caso da rachadinha, foi rejeitado pelo plenário. Mesmo com sentença judicial em primeira instância, mesmo com reconhecimento de desvio de recursos públicos, a maioria dos vereadores optou por arquivar. Ali, a Câmara deixou claro seu limite: não comprar briga quando o alvo é um dos seus e o caso é grave demais. Vale lembrar que Permínio é o 1º vice-presidente do legislativo.
Agora surge um novo protocolo, desta vez apresentado pelo presidente da Associação da Feira Hippie, Marcelo Araújo Bonifácio, pedindo apuração por suposto tráfico de influência envolvendo Permínio e o coordenador municipal da feira. Outro fundamento, outro enquadramento, mesma arena política.
Formalmente, o pedido segue o rito: análise da Procuradoria, leitura em plenário e votação por maioria simples. Politicamente, porém, o destino parece traçado. Depois de o plenário recusar investigar uma condenação na Justiça por rachadinha, acreditar que prosperará uma CP por suposto tráfico de influência beira a ingenuidade.
É aqui que o ciclo se revela. Quando a Câmara diz “não” a um caso com sentença judicial, ela cria um precedente quase intransponível. Tudo o que vem depois soa menor, ainda que não seja. O novo pedido nasce fragilizado não pelo mérito, mas pelo ambiente. E o ambiente é de autoproteção, de cansaço institucional e de medo de abrir uma porta que pode atingir mais gente.
O problema é o efeito colateral. A Câmara perde um pouco mais de sua minúscula credibilidade. O cidadão comum olha e pergunta: se nem uma condenação por improbidade é suficiente para abrir apuração política, o que será? A resposta implícita é desconfortável: quase nada. Talvez revanchismo para um ou outra na linha.
Assim, a política segue seu ciclo. Hoje é Permínio. Ontem foi Otto. Amanhã será outro nome. Protocolos se acumulam, manchetes se sucedem, sessões pegam fogo — e o plenário, invariavelmente, escolhe o caminho da sobrevivência coletiva.
No fim, a bola da vez muda, mas o jogo permanece o mesmo. A Câmara finge que avalia, arquiva o que incomoda e segue adiante, apostando que o tempo dissolve o escândalo. Pode até funcionar no curto prazo. No longo, só aprofunda a descrença.
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O PSD, comandado por Gilberto Kassab, segue em rota acelerada de crescimento em São Paulo e passa a atrair nomes estratégicos da região de Campinas e do interior. Três deputados estaduais com base regional já anunciaram compromisso de filiação à legenda: Rogério Nogueira, de Indaiatuba, Barros Munhoz, de Itapira, ambos deixando o PSDB, e Dirceu Dalben, de Sumaré, que sai do Cidadania.
O movimento faz parte de uma filiação coletiva de sete deputados estaduais que reforçarão o PSD a partir da janela partidária de março de 2026. Além dos três parlamentares da região, também anunciaram adesão à sigla Analice Fernandes, Maria Lúcia Amary, Mauro Bragato e Carlão Pignatari. Hoje, seis deles estão no PSDB, enquanto Dalben integra o Cidadania, partido que mantém federação com os tucanos.
O anúncio foi feito pelo próprio Kassab, que destacou que as novas filiações ampliam o peso do PSD na Assembleia Legislativa e fortalecem a estrutura eleitoral do partido para 2026. A movimentação aprofunda o esvaziamento do PSDB em São Paulo e consolida o PSD como uma das principais forças do centro político no estado.
O crescimento não é pontual. Ao lado do MDB, o PSD foi o partido que mais elegeu prefeitos de capitais em 2024 e venceu as eleições municipais em 891 cidades em todo o país, tornando-se peça central na articulação nacional e estadual. Em São Paulo, a legenda já vinha ampliando bancadas e ocupando espaços estratégicos no governo.
Nos bastidores, o fortalecimento do PSD alimenta conversas cada vez mais frequentes sobre 2026. Uma das especulações que ganham força é a possibilidade de Kassab compor como vice na chapa de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Hoje, o cargo é ocupado por Felicio Ramuth, também filiado ao PSD.
A movimentação, porém, não passa sem críticas. Lideranças de outros partidos de centro e direita avaliam, de forma reservada, que Kassab utiliza o peso político de sua posição no governo estadual para acelerar o crescimento da própria legenda. Além de presidente nacional do PSD, ele ocupa atualmente a Secretaria de Governo e Relações Institucionais do Palácio dos Bandeirantes.
Com a chegada de nomes regionais de peso, como Rogério Nogueira, Barros Munhoz e Dirceu Dalben, o PSD se consolida como destino preferencial de parlamentares em busca de abrigo eleitoral competitivo. O recado é claro: o partido entra em 2026 maior, mais capilarizado e com protagonismo crescente na sucessão paulista.
O Republicanos de Campinas oficializou na última quinta-feira (5) a filiação do coronel Mauro Benedito, assessor especial da Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo. A adesão ocorre no contexto de articulações políticas com foco nas eleições de 2026.
A ficha de filiação foi assinada e abonada pelo presidente municipal do partido, Aderval Fernandes Júnior, durante encontro realizado na sede local da legenda. Participaram do ato os vereadores Higor Diego e Roberto Alves, além da secretária municipal Vandecleya Moro, da ex-vereadora Teresinha de Carvalho e de dirigentes partidários e filiados.
Durante o encontro, Aderval destacou o papel da bancada do Republicanos na Câmara de Campinas e afirmou que o partido tem buscado ampliar sua presença política no município. Ele também transmitiu ao novo filiado cumprimentos do prefeito Dário Saadi.
Em declaração após a filiação, o coronel Mauro Benedito afirmou que pretende atuar em conjunto com as lideranças locais e citou áreas como segurança pública, saúde, infraestrutura e inclusão social como prioridades. Segundo ele, esta é a primeira filiação partidária de sua trajetória política.
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A Prefeitura de Valinhos declarou como de utilidade pública áreas rurais localizadas na Serra dos Cocais, medida que, na prática, impede a venda ou negociação privada desses imóveis, inclusive para fins de assentamento rural. A decisão ocorre após o anúncio do Governo Federal sobre a liberação de recursos para a compra de terras no município destinadas ao assentamento de famílias ligadas ao MST.
O decreto municipal abrange seis imóveis rurais, entre eles o Sítio Lajeado e a Fazenda Eldorado, áreas citadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário como possíveis alvos de aquisição via Incra. Também estão incluídos o Sítio Trombetta, a área remanescente da Fazenda Bela Aliança, a Chácara São Patrício e um imóvel rural no bairro Eldorado. Juntas, as áreas somam cerca de 3 quilômetros quadrados.
Segundo a Prefeitura, a medida foi baseada em estudos técnicos realizados por um Grupo de Trabalho, que avaliou critérios ambientais, urbanísticos, hídricos e financeiros. O levantamento apontou restrições técnicas severas, alto custo para implantação de saneamento básico e riscos associados à ocupação fora da malha urbana consolidada.
As áreas declaradas de utilidade pública estão inseridas em macrozonas de Conservação do Ambiente Natural e de Proteção de Mananciais, conforme o Plano Diretor do município. De acordo com a administração municipal, a decisão reforça que o uso e a ocupação do solo devem seguir o planejamento urbano vigente, a legislação ambiental e a autonomia administrativa local.
O decreto foi publicado dias após o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, anunciar a liberação de R$ 53 milhões para a compra de terrenos em Valinhos, com o objetivo de criar um assentamento para famílias do acampamento Marielle Vive, ligado ao MST. Segundo o ministro, os recursos já estariam disponíveis para a operação via Incra.
A Prefeitura não comentou diretamente o anúncio federal, mas destacou que qualquer intervenção territorial no município precisa respeitar as normas urbanísticas e ambientais locais, o que, com a declaração de utilidade pública, inviabiliza a transferência privada das áreas atingidas.