06 de fevereiro de 2026
RODOVIAS

Pedágio comum será trocado por free flow na Anchieta-Imigrantes

Por Fábio Pescarini | da Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/TV
Pedágio na rodovia dos Imigrantes será desativado após o início do funcionamento do sistema free flow (passagem livre)

As praças de pedágio nas rodovias Anchieta e Imigrantes serão substituídas em 1º de julho por pórticos de free flow (passagem livre). As duas estradas são as principais ligações da Baixada Santista com a cidade de São Paulo e com o interior do estado.

Outra mudança é que a tarifa cobrada atualmente apenas no sentido do litoral será nos dois lados das estradas, tanto para quem desce quanto para quem sobe a serra.

Segundo a Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo), o valor atual de R$ 38,70 será dividido ao meio - R$ 19,35 para cada sentido.

O primeiro pórtico começa a ser instalado no dia 17, na Anchieta. Na Imigrantes, a previsão é para 24 de fevereiro. Eles ficarão perto das estruturais de hoje.

Atualmente os pedágios estão instalados no km 29 da Anchieta e km 33 da Imigrantes.

Nesta primeira fase, até 30 de junho, as câmeras instaladas na estrutura sobre a rodovia vão monitorar o fluxo de veículos. Os outros pórticos serão erguidos em seguida.

Também será um período de testes dos equipamentos até o começo da troca da estrutura atual pela eletrônica, em 1º de julho, explica Raquel França Carneiro, diretora da Artesp.

Pelo modelo free flow, em vez de uma praça de pedágio, com cancela, são usados pórticos com câmeras capazes de identificar as placas de veículos em movimento ou o sinal das tags (do mesmo tipo usado em pedágios convencionais e estacionamentos de acesso sem parada).

Para veículos com tags válidas, a cobrança é feita automaticamente pela operadora contratada.

Quem não conta com esse dispositivo colado no para-brisa tem até 30 dias para fazer o pagamento.

Se o pagamento não for efetuado no período estipulado, é emitida pelos órgãos de trânsito multa grave no valor de R$ 195,23 e o dono do veículo soma cinco pontos na CNH.

Responsáveis pelas rodovias devem criar canais digitais, como sites e aplicativos, ou mesmo locais físicos, para que o usuário consiga fazer o pagamento do pedágio.

Em São Paulo esse sistema de cobrança de pedágio é chamado de Siga Fácil.

Conforme a diretora da agência reguladora, a ideia é acabar com as enormes filas de carros nas praças de pedágio das duas rodovias, principalmente em vésperas de feriados.

Mais de 1,4 milhão de veículos desceram para o litoral no último fim de ano pelo sistema, entre os dias 19 de dezembro de 2025 e 5 de janeiro passado. Os dados são da concessionária Ecovias Imigrantes, que administra as duas estradas

"É preciso resolver o congestionamento nas praças de pedágio da Anchieta e da Imigrantes nesses períodos de feriados", afirma Raquel. "Também há muita colisão com o anda e para de veículos para pagar a tarifa."

A ideia passou a ser maturada no ano passado, quando começaram a ser instalados pórticos de free flow em rodovias do interior do estado.

O fim das praças físicas criou um problema. Quando há neblina na região a Serra do Mar, a Polícia Militar Rodoviária puxa comboios em velocidade controlada a partir do pedágio, onde os veículos são obrigados a parar por causa do pagamento nas cabines.

Com a passagem livre, serão instalados sensores eletrônicos nos trechos críticos. Por meio de inteligência artificial, eles vão acionar automaticamente sinalização e luzes para controle de velocidade quando a má visualização for identificada, com aprovação no centro de operações da concessionária.

"Será uma espécie de comboio tecnológico, como acontece em países onde há neve", afirma Raquel, da Artesp.

Com o funcionamento do pedágio eletrônico, as praças atuais serão demolidas e os trechos de pista com alargamento terão o mesmo número de pistas que o restante das rodovias.

O valor total da mudança ainda está sendo calculado pela agência e pela concessionária, segundo a diretora, que deverá ser incluído nos custos da concessão, mas estima-se que cada pórtico custa de R$ 15 milhões a R$ 20 milhões, fora as alterações estruturais.

"Vai ter o equilíbrio-financeiro [para a concessionária], mas os também haverá economia. Não será preciso, por exemplo, contratar transporte de valores", diz.

Em setembro, três pórticos de pedágio eletrônicos substituíram três praças de pedágio comuns na rodovia Raposo Tavares, na região de Sorocaba.

A ideia era instalar mais cinco pontos de cobrança, mas com a pressão da medida impopular, o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) recuou e transformou as estruturas em pontos de monitoramento de veículos. Concessionárias tiveram de ser subsidiadas.