Janeiro terminou com chuva abaixo da média histórica em Campinas, repetindo um padrão que já se mantém pelo terceiro ano consecutivo. Ao longo do mês, foram registrados 236 milímetros de precipitação, enquanto a média esperada para o período é de 271 milímetros, segundo dados meteorológicos.
O comportamento se repete em anos recentes. Em 2024, janeiro fechou com 233 milímetros, e em 2025, o acumulado foi ainda menor, com 192 milímetros, reforçando a sequência de meses mais secos do que o normal no início do ano.
Além da chuva abaixo do padrão, as temperaturas se mantiveram elevadas. A média mensal ficou em 25 °C, considerando mínimas e máximas, com pico de 33,9 °C registrado ao longo do mês, o que contribuiu para maior evaporação e menor retenção de água no solo.
O cenário de déficit hídrico não ficou restrito a Campinas. Todo o estado de São Paulo apresentou volumes de chuva inferiores à média, incluindo a região do Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Grande São Paulo.
Na área dos reservatórios, o comportamento foi ainda mais irregular. O acumulado chegou a apenas 172 milímetros, bem abaixo dos 262 milímetros normalmente esperados para janeiro, o que impactou diretamente o ritmo de recuperação do sistema.
Com isso, o Cantareira encerrou o mês com 22,7% de armazenamento, avanço de apenas 2,6 pontos percentuais em relação ao nível registrado no primeiro dia do ano. O resultado indica recuperação lenta, mesmo em pleno período chuvoso, acendendo alerta para os próximos meses.
O Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, continuará operando na Faixa 4 – Restrição em fevereiro, segundo comunicado conjunto da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e da Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas).
A decisão está amparada na Resolução Conjunta nº 925/2017, que define as regras de operação do sistema conforme o volume armazenado.
Com o sistema nessa condição, a Sabesp permanece autorizada a retirar até 23 metros cúbicos por segundo (m³/s) para abastecimento. Além disso, em fevereiro, a companhia poderá utilizar vazão adicional como medida de mitigação, correspondente à água transposta do reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari, localizada na bacia do rio Paraíba do Sul.
Durante o período úmido, que se estende até maio de 2026, a liberação de água para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) ocorre a partir de comunicados emitidos pela SP Águas, com o objetivo de garantir os valores mínimos de vazão previstos na resolução. Esses comunicados são encaminhados simultaneamente aos Comitês PCJ, conforme determina a norma.
As agências reguladoras destacam a necessidade de medidas de gestão da demanda por parte da Sabesp, especialmente no abastecimento urbano, e reforçam que outros usuários do sistema também devem adotar ações para preservar o volume dos reservatórios.