23 de janeiro de 2026
IDOSO E SAÚDE MENTAL

Tristeza profunda não é natural ao envelhecimento, alerta médico

Por | da Rede Sampi
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Tony Winston/Age?ncia Brasi?lia
“Existe uma ideia equivocada de que tristeza profunda, apatia ou isolamento fazem parte natural do envelhecimento. Não fazem”, explica

Estimativas indicam que as pessoas com 60 anos ou mais representam aproximadamente 16,1% da população total do Brasil, o que corresponde a 34,1 milhões de pessoas. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de especialistas indicam que de 14% a 15% dos idosos brasileiros apresentam algum transtorno psíquico; destes, 13% têm sintomas de depressão e 8,5% convive com algum tipo de demência. Existe ainda outro dado alarmante: só quatro em cada dez idosos que relatam sintomas de depressão recebem diagnóstico formal.

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Apesar de todas as evidências, o sofrimento psíquico da população idosa continua fora do centro das políticas públicas e da atenção social. Especialistas alertam que, em meio ao envelhecimento acelerado da população brasileira, cresce a crise silenciosa marcada por subdiagnóstico, estigma e falta de acolhimento adequado a esta grande parcela.

Solidão

Estudos do ELSI-Brasil (Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros) apontam a solidão como fator recorrente entre idosos, associada ao aumento de quadros de depressão, ansiedade e ao agravamento de doenças crônicas, cenário refletido diariamente nos serviços de emergência.

Na Francisca Júlia, instituição de referência em saúde mental em São José dos Campos (SP), por exemplo, o Pronto Atendimento recebe, em média, 200 pacientes com mais de 60 anos por mês, muitos já em sofrimento intenso, com depressão, crises de ansiedade, ideação suicida ou impacto emocional ligado a luto, solidão e perdas funcionais.

Existe uma ideia equivocada de que tristeza profunda, apatia ou isolamento fazem parte natural do envelhecimento. Não fazem”, explica o médico Rodrigo Gasparini, Diretor Técnico da instituição. “O que vemos na prática é que muitos idosos chegam ao pronto atendimento após longos períodos de sofrimento silencioso, sem diagnóstico ou acompanhamento adequado.”

Atenção aos sinais

Para o psicólogo Enéias Amorim, o Janeiro Branco precisa focar mais do que o básico. “Cuidar da saúde mental não é apenas falar de ansiedade na juventude. É olhar para quem envelhece, para quem perdeu papéis sociais, autonomia, vínculos e, muitas vezes, não encontra espaço para falar sobre isso”.

O alerta ganha ainda mais peso diante de dados do Ministério da Saúde, que mostram que as taxas de suicídio aumentam com a idade entre os homens, alcançando os índices mais elevados nas faixas etárias mais avançadas. Alguns sinais não devem ser naturalizados no envelhecimento, por exemplo:

Para os especialistas, dar visibilidade à saúde mental dos idosos é uma urgência que precisa sair do discurso institucional e se transformar em atenção contínua, prevenção e acolhimento efetivo.