A Justiça de São Paulo decidiu neste sábado (17) manter a prisão temporária da delegada Layla Lima Ayub, 36, suspeita de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Layla, que neste sábado passou por audiência de custódia, é acusada de manter vínculo pessoal e profissional com membros da facção criminosa.
A detenção foi feita durante operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Corregedoria-Geral.
A investigação apurou que ela namora um integrante da facção e atuou como advogada de forma irregular, mesmo após tomar posse como delegada, para defender suspeitos.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Layla.
A prisão de Layla, expedida pela 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens, tem prazo de 30 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período.
Ela foi presa na manhã desta sexta-feira (16) numa pensão no Butantã, na zona oeste paulistana, próxima à Academia da Polícia Civil. Estava acompanhada de Jardel Neto Pereira da Cruz, o Dedel, também alvo de mandado de prisão. Os dois viviam ali havia pouco mais de um mês.
Eles teriam se conhecido no ano passado numa penitenciária em Marabá, no Pará, onde Dedel, 28, estava preso. Antes de passar no concurso de delegada, Ayub era advogada na cidade, considerada um dos poucos redutos do PCC no Pará.
Formalmente, ela ainda é casada com um delegado de Polícia Civil paraense. Teria se separado dele após conhecer o preso, com quem teria iniciado um relacionamento amoroso.
O que mais chamou atenção dos investigadores é que, após tomar posse como delegada de polícia, Ayub atuou irregularmente como advogada numa audiência de custódia em 28 de dezembro.
A ocorrência envolvia quatro presos, apontados pelo Ministério Público como simpatizantes do Comando Vermelho em Marabá. Ayub participou da audiência de forma virtual. Ela já havia pedido o cancelamento de sua carteira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), mas o registro na subseção de Marabá continuava ativo, segundo a Promotoria.
Ela foi empossada como delegada em dezembro de 2025, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital paulista, com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na ocasião, 524 novos delegados foram nomeados.
Dedel --que já declarou ser membro do PCC, segundo informações repassadas pela Secretaria de Administração Penitenciária do Pará a autoridades paulistas-- estava na cerimônia. Estava em liberdade condicional desde novembro.
Uma investigação do Ministério Público de Roraima apontou que ele teve papel importante na expansão do PCC na região Norte do país. A decisão judicial que decretou sua prisão temporária aponta que, segundo o inquérito que levou à sua condenação, ele era "incumbido da prática de atentados contra autoridades do sistema prisional e magistrados".