11 de julho de 2026
INTERNACIONAL

Trump anuncia acordo entre Israel e Hamas por paz em Gaza

da Rede Sampi
| Tempo de leitura: 3 min
Nour Alsaqqa/MSF
Acordo prevê cessar-fogo em Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que Israel e o Hamas concordaram com a “primeira fase” de um plano de paz para encerrar o conflito em Gaza, mediado por Egito, Catar e Turquia. Segundo ele, o entendimento marca o início de um processo “histórico” para pôr fim à guerra e garantir a libertação dos reféns ainda mantidos pelo grupo palestino.

Em comunicado, Trump disse que o acordo inclui a liberação de todos os reféns israelenses, a retirada de tropas israelenses até uma linha mutuamente acordada e a implementação de um cessar-fogo imediato. “Israel e o Hamas assinaram a primeira fase de um grande acordo. Todos os reféns serão libertados, e o cessar-fogo começará de forma imediata”, declarou o presidente em postagem na rede Truth Social.

De acordo com a Reuters e a Associated Press, vinte reféns vivos devem ser libertados nas primeiras 72 horas após a assinatura formal do acordo, prevista para ocorrer no Egito, com a presença de representantes internacionais. A troca de prisioneiros palestinos também faz parte da primeira etapa: Israel deverá libertar detentos capturados desde o início da ofensiva, incluindo alguns condenados à prisão perpétua.

Segundo o Washington Post, a retirada de tropas israelenses se dará “até posições acordadas dentro de Gaza”, sem que isso represente, neste momento, o fim total da presença militar. A medida visa permitir a entrada de ajuda humanitária e a reconstrução emergencial de áreas devastadas.

O Hamas confirmou a entrega de uma lista com nomes de reféns e prisioneiros palestinos para troca. Fontes do grupo ouvidas pela Reuters afirmaram que “as negociações se concentraram na libertação de civis e na criação de uma zona segura sob monitoramento internacional”.

Negociações

O acordo é resultado de meses de negociações indiretas entre Israel e o Hamas, com mediação de Egito, Catar e Turquia. Nenhum representante de Israel comentou oficialmente os termos, mas o governo de Benjamin Netanyahu teria aprovado a fase inicial após consultas com o gabinete de segurança.

Trump, que vem tentando reposicionar os Estados Unidos como principal ator diplomático do Oriente Médio, indicou que pretende visitar a região “em breve” para apoiar o processo. “Estamos muito próximos do fim da guerra. É um grande dia para a paz, para Israel e para os palestinos que desejam viver sem medo”, afirmou o presidente durante um encontro com assessores, segundo o portal Politico.

Plano de 20 pontos

O anúncio faz parte de um plano de 20 pontos apresentado por Trump em 29 de setembro, que prevê uma transição política em Gaza. O documento sugere a criação de uma autoridade administrativa interina, tecnocrática e apolítica, responsável por governar o território sob supervisão internacional, até que novas instituições locais sejam formadas. O projeto também propõe anistia a membros do Hamas que abandonem as armas e aceitem viver pacificamente — medida que vem gerando fortes críticas entre autoridades israelenses e analistas internacionais.

Apesar do otimismo de Trump, diversas incertezas permanecem. Ainda não há definição sobre o desarmamento completo do Hamas, nem clareza sobre quem garantirá o cumprimento das cláusulas do acordo. Também não foi detalhado o papel dos mediadores na fiscalização das fases seguintes nem as condições para uma retirada total de Israel.

O Washington Post destacou que a “fase 1” não aborda questões de longo prazo, como a reconstrução de Gaza, a governança civil e o futuro status político do território. Especialistas ouvidos pelo jornal alertaram que acordos parciais anteriores na região fracassaram por falta de garantias e confiança entre as partes.

Ainda assim, o anúncio foi recebido como um raro sinal de desescalada em um conflito que já deixou milhares de mortos e deslocados. A cerimônia de assinatura, que deve ocorrer no Cairo, será acompanhada de perto pela comunidade internacional - e vista como um teste crucial para a viabilidade do plano de paz de Trump.