10 de julho de 2026
NO BRASIL

A cada 10 minutos, um adolescente tenta se matar ou se ferir

Por | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Balint Mendlik/Unsplash
Apenas entre 2023 e 2024, 3,8 mil adolescentes precisaram de internação hospitalar em razão da gravidade das lesões.

Um levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mostra que o Brasil registra, em média, um atendimento por autoagressão de adolescentes de 10 a 19 anos a cada 10 minutos. O estudo, divulgado nesta segunda-feira (22), foi feito a partir de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e integra as ações do Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio.

Leia mais: Suicídio: fique atento aos sinais e saiba como buscar ajuda

Segundo a SBP, nos últimos dois anos, a média diária foi de 137 atendimentos a jovens com episódios de violência autoprovocada ou tentativas de suicídio. Apenas entre 2023 e 2024, 3,8 mil adolescentes precisaram de internação hospitalar em razão da gravidade das lesões - cerca de cinco casos por dia.

Subnotificação preocupa

A entidade alerta que os números oficiais podem estar abaixo da realidade por falhas nas notificações, falta de registros na rede privada e casos que acontecem em escolas sem encaminhamento formal.

O presidente da SBP, dr. Edson Liberal, destaca que muitos adolescentes usam a autoagressão como pedido de ajuda.

“Muitas vezes, as autoagressões representam um pedido silencioso de ajuda. É fundamental que pais, responsáveis e educadores escutem e acolham os adolescentes. O acompanhamento com o pediatra também tem papel central, já que, nas consultas, ele pode identificar sinais de alerta e orientar tanto o jovem quanto a família.”

Diferenças regionais

Os dados variam entre regiões:

Suicídios em alta

O levantamento mostra ainda que cerca de mil adolescentes morrem por suicídio por ano no país. Entre 2022 e 2023, foram mais de 2,3 mil mortes, a maioria entre 15 e 19 anos.

Para a pediatra dra. Renata Waksman, qualquer indício de desejo de morrer deve ser levado a sério:

“O suicídio não ocorre sem um histórico de sofrimento psíquico; é a consequência final de um processo de desesperança profunda. Estar atento a mudanças bruscas de comportamento dos jovens é fundamental, pois elas costumam ser os sinais de alerta mais claros.”

Sinais de alerta

Os principais indícios de risco, segundo a SBP, incluem:

Fatores de risco

A SBP destaca que ansiedade e depressão estão em crescimento entre jovens, e que a adolescência é uma fase de maior vulnerabilidade emocional. Entre os fatores de risco estão baixa autoestima, solidão, acesso a meios letais (como armas e venenos) e estigma em torno da saúde mental, que dificulta buscar ajuda.

A entidade reforça que o acolhimento familiar, o acompanhamento médico contínuo e a atenção a mudanças de comportamento são essenciais para prevenir tragédias.