A França tornou-se o primeiro país do mundo a consagrar os direitos ao aborto em sua constituição nesta segunda-feira (4).
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Segundo apurou a CNN, os legisladores de ambas as casas do Parlamento francês votaram favoravelmente à medida por 780 votos a 72, superando a maioria de três quintos necessária para emendar a constituição francesa.
A votação, realizada no Palácio de Versalhes, foi o último passo no processo legislativo. O Senado francês e a Assembleia Nacional aprovaram esmagadoramente a emenda no início deste ano.
A emenda afirma que há uma "liberdade garantida" para o aborto na França. Alguns grupos e legisladores pediram uma linguagem mais forte para declarar explicitamente o aborto como um "direito".
Os legisladores saudaram a medida como maneira histórica de a França enviar um sinal claro de apoio aos direitos reprodutivos, com o aborto ameaçado nos Estados Unidos, bem como em partes da Europa, como a Hungria.
Após a votação, a Torre Eiffel foi iluminada com as palavras "meu corpo, minha escolha".
O primeiro-ministro Gabriel Attal disse antes da votação que os legisladores tinham uma "dívida moral" com as mulheres que, no passado, foram forçadas a suportar abortos ilegais.
A França legalizou o aborto pela primeira vez em 1975, após campanha liderada pela então ministra da Saúde, Simone Veil, uma sobrevivente de Auschwitz que se tornou uma das mais famosas ícones feministas do país.
A aprovação da medida é uma vitória para a esquerda francesa, que tem pressionado há anos para garantir os direitos ao aborto na constituição.