11 de julho de 2026
ESTRADAS

CCR pretende eliminar pagamento em dinheiro vivo nos pedágios até 2026

Por | Da redação
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Reprodução/Priscila Rangel/Agência Brasil
O setor de mobilidade passará por uma revolução tecnológica nos próximos anos, segundo Miguel Setas.

Nesta quarta-feira (7), o CEO da CCR, que opera concessões rodoviárias no Brasil, afirmou que a intenção do grupo é eliminar o pagamento em dinheiro vivo nos seus pedágios até 2026. A informação é da Folha de SP.

Em evento do banco BTG Pactual, Miguel Setas afirmou que o setor de mobilidade passará por uma revolução tecnológica nos próximos anos, que inclui coberturas 5G nas estradas e mais opções de operações digitais.

"Nós temos o objetivo de chegar a 2026 sem nenhum dinheiro nas nossas pedágios, de ter apenas cobrança com meios digitais, free flow e as outras ferramentas digitais", afirmou.

A CCR é a responsável pela primeira experiência de pedágio "free flow" (sem parada) do Brasil, no trecho da Rio-Santos (BR-101) que liga Ubatuba (SP) ao Rio de Janeiro.

Neste modelo, a cobrança é feita pela leitura automática de placas ou tags, sem que os motoristas tenham de parar nas cabines. A tecnologia abriu caminho para que a cobrança seja feita por distância percorrida por cada veículo.

De acordo com Setas, o nível de inadimplência hoje na rodovia é de 11%. "Já foi bem mais alto, mas os benchmarks internacionais mostram que nós devemos nos situar entre 5% ou 8% de inadimplência, que ainda assim é bem mais alto do que uma rodovia que tem os pedágios tradicionais."

O executivo participou de painel sobre concessões de infraestrutura, ao lado do ministro dos Transportes, Renan Filho. Também estava no evento o CEO da Ecorodovias, Marcello Guidotti, que disse que 80% da receita da companhia hoje já é obtida eletronicamente -- 70% com cobrança em tags e 10% em cartões.

Segundo ele, essa dinâmica vai transformar o sistema de rodovias, uma vez que hoje os contratos já colocam obrigações nesse sentido desde o começo.

Expectativa de superciclo de investimento no país
O CEO da CCR também deu um vislumbre dos próximos passos da empresa no Brasil. Hoje, a concessionária tem R$ 28 bilhões em investimentos contratados para os próximos anos, que é o saldo remanescente das atuais obrigações contratuais. Há outros R$ 180 bilhões em investimentos previstos.

Ele está otimista sobre o que chama de superciclo de investimento em infraestrutura no país, e disse que o Brasil investe desde os anos 1980 algo em torno de 2% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto o ideal, segundo especialistas, seria próximo de 4%.

"Energia elétrica, transporte, saneamento e telecomunicações: essas quatro áreas, no ano passado, representaram R$ 213 bilhões. Como nós sabemos, já teve uma aceleração, teve 20% de aumento em relação a 2022 em termos de investimento em infraestrutura. Portanto nós estamos vendo esse superciclo a formar-se", disse.

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Guidotti também vê com otimismo os próximos anos. Durante o painel, ele contou que acabara de voltar da Itália, onde esteve reunido com os acionistas, e que hoje o CEO do grupo ia se reunir com o ministro de infraestrutura italiano.

"Eu comentei que ia encontrar o ministro [Renan Filho] e íamos falar de investimentos, oportunidades, crescimento. Ele [CEO do grupo] estava meio abatido, porque quando chega no ministro [italiano] a propor algum investimento, já querem falar que estamos aproveitando, que queremos ganhar mais dinheiro... Ou seja, não tem diálogo", comentou.

"Aqui nós temos oportunidades que, no momento, temos que aproveitar. E é evidente que o Brasil hoje realmente atrai muito", acrescentou.

Segundo Guidotti, a companhia tem R$ 40 bilhões em investimentos já contratados -- R$ 8 bilhões deles entre 2024 e 2025.

"Acabei de voltar de um país, como a Itália, que tem um problema de infraestrutura muito grande e não consegue desenrolar. Nós estamos aqui com um pipeline gigantesco", disse.