15 de março de 2026

Inspiraçã da receita é o Masterchef: Barriga de porco


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As louças e utensílios usados na produção desta receita foram fornecidos pela Espaço Casa
Os mais antigos registros arqueológicos do porco doméstico datam de 9.000 anos e foram encontrados na Grécia e na Turquia. Na China e no Egito, remontam há 6.000 e na Europa Central, a 4.000. Todas as datações, antes de Cristo. Pode-se concluir a partir daí que este animal passou a ser consumido pelo homem bem antes do gado, porém, depois das ovelhas e das cabras. Por vários séculos, conservou as características físicas de seus antepassados, o que se pode observar nas obras de renascentistas como Albert Dürer (1471-1528) e Hieronimus Bosch (1450-1516). Possivelmente nativos das regiões da Mesopotâmia, espalharam-se pelo delta do rio Nilo, sendo utilizados também para puxar o arado, na preparação da lavoura, oferecendo, além da tração, a vantagem de fazerem, com os próprios pés, os orifícios no solo onde seriam depositadas as sementes do trigo. 
 
Foram os romanos, adeptos de grandes banquetes e de orgias gastronômicas, que descobriram bem cedo como poderiam melhorar a qualidade e aumentar a quantidade da carne do corpo. Desenvolveram técnicas adequadas de cuidado aos animais, construíram as primeiras instalações de suínos de que se têm notícias, inventaram os presuntos e salames. Para eles, como para celtas e germânicos, os porcos passaram a representar prosperidade, riqueza, fartura. A quantidade de gordura que uma família tinha armazenada definia sua posição econômica. Esse significado de opulência ainda permanece na mitologia germânica e pode ser encontrado até hoje em desenhos nos cartões de felicitações pelo ano-novo, aniversário, casamento ou formatura. Ao Brasil os porcos chegaram a partir de 1532, trazidos por Martim Afonso de Souza. Provenientes de raças derivadas dos javalis europeus do tipo ibérico e asiático, logo se adaptaram ao clima tropical e permitiram aos criadores o desenvolvimento de raças próprias. Atualmente, nosso país possui o terceiro maior rebanho do mundo. 
 
Por exigências do mercado, o porco brasileiro perdeu, desde 1980, cerca de 30% de seu nível de gordura, 14% de calorias e 10% de colesterol. Por isso vem recebendo maior atenção no território da alta gastronomia, onde conhecidos chefs têm criado receitas para tipos diferentes de cortes, dos mais nobres como lombo e pernil, aos mais plebeus como bisteca e barriga. Seguindo esta tendência, o brasileiro Jefferson Rueda abriu no centro da capital paulista um restaurante que é também bar e empório, chamado Casa Do Porco, cujo sucesso atesta a preferência do paulista por esta carne. Rueda entende do assunto. Antes de se profissionalizar como açougueiro, aprendeu o que fazer com o porco na sua família onde os animais eram abatidos para as festas de fim de ano e deles tudo se aproveitava- do focinho ao rabo. E isso ainda acontece muito em nossa região, vizinho que somos de Minas, onde a carne de porco é muito apreciada.