Os doces chegaram ao nosso país com os portugueses e passaram a integrar a vida cotidiana de milhares de brasileiros que têm nas receitas de família as suas principais referências culturais. Associados a celebrações mais refinadas e festas populares despertam alegria com suas cores, formas, aromas e texturas que lembram histórias e momentos marcantes. Para as crianças são sinônimo de momentos felizes. Não podem faltar nas celebrações de aniversário. Ou alguém consegue imaginar uma festa infantil sem doces? Quem há de esquecer o bolo de aniversário de cada ano, com massa macia, recheio e cobertura com glacê de açúcar? Quem é capaz de ignorar os imprescindíveis acompanhamentos, aqueles maravilhosos docinhos conhecidos por brigadeiros, cajuzinhos, beijinhos, bichos-de-pé, cocadinhas que são colocados em pratinhos e enfeitam a mesa ao redor do bolo?Raul Lody, um antropólogo que gosta de culinária, publicou um livro interessante chamado “Caminhos do Açúcar”, onde fala da vasta gastronomia brasileira, baseada no açúcar produzido a partir da cana trazida das Ilhas Açores pelos primeiros colonizadores. É um verdadeiro acervo das tradições regionais existentes no Brasil, com listagem dos doces mais conhecidos e preferidos pelas crianças. Alguns são até vendidos em lugares públicos como ruas, praças e parques. Pipoca-doce, feita com milho, manteiga e açúcar caramelizado. Algodão-doce, conhecido em algumas regiões como “fios das fadas”, elaborado com açúcar cristal transformado em fios por meio de um processo de aquecimento. Cocadas só de coco ou com o acréscimo de diferentes frutas, tais como maracujá, abacaxi e goiaba. Amendoim e castanha de caju caramelizados, cada vez mais comuns nos quiosques de shoppings e nas carrocinhas de rua. Balas dos mais variados tipos, formatos, cores, sabores- uma das delícias mais populares e difundidas em todo o mundo. O exótico quebra-queixo. A puxa-puxa de rapadura. Biscoitinhos diversos com toques de canela, opção muito comum no sul do país, onde a imigração europeia foi mais forte. O levíssimo suspiro, presente na nossa culinária desde 1881, feito com claras de ovos e açúcar batidos até o ponto de castelo ou neve e assado em forno brando. Maria-Mole, doce que pouca gente sabe ter sido criado por um paulista que misturou açúcar, claras em neve e gelatina incolor. Sacolé, que recebe um nome diferente dependendo da região do País: “gelinho”, “geladinho”, “chup-chup”. Só alguns têm conhecimento de que, preparado dentro de sacos plásticos, o “gelinho” vem da Segunda Guerra Mundial, quando era servido salgado como fonte de proteína para os soldados.