POLÍCIA

MC Poze é investigado por suspeita de estupro de adolescente

Por Bruna Fantti | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
O funkeiro MC Poze do Rodo, nome artístico de Marlon Brendon Coelho
O funkeiro MC Poze do Rodo, nome artístico de Marlon Brendon Coelho

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a denúncia de uma adolescente de 16 anos que acusa o funkeiro MC Poze do Rodo, nome artístico de Marlon Brendon Coelho, de tê-la estuprado na casa dele, no Recreio dos Bandeirantes, na zona sudoeste da capital. O caso foi registrado na quarta-feira (28) na Dcav (Delegacia da Criança e Adolescente Vítima).

Em postagem nas redes sociais, nesta quinta-feira (29), o cantor negou ter cometido o crime. Procurado, o advogado Fernando Henrique Cardoso, que atua na defesa do cantor, não respondeu aos contatos telefônicos e por mensagem da reportagem.

Segundo Daiana Andrade, advogada da jovem, a vítima relatou que o crime ocorreu no fim de setembro. A adolescente disse que, na residência do funkeiro, recebeu drogas –entre elas black lança, uma variedade de lança-perfume citada em funks– e que não estava plenamente consciente quando ficou com ele no quarto. Ela afirma ter dito que não aceitaria relação sexual sem preservativo, que Poze se recusou a colocar camisinha e que mesmo assim consumou o ato sexual.

A defesa sustenta que a jovem foi vítima de estupro, ameaça e constrangimento ilegal.

Conforme o registro policial, dois dias depois a adolescente teria sido pressionada a voltar à casa do cantor. Lá, diz, foi forçada a ingerir vários medicamentos enquanto ele ficava com o celular dela. A jovem afirma que Poze ameaçou pedir a um amigo que a fizesse "desaparecer" caso ela se negasse a tomar os remédios.

"Ela foi coagida e tomou o medicamento. Nós temos como provar porque temos um vídeo com a voz dele falando para ir para a casa dele e responde que precisava fazer exames", afirmou Daiana Andrade.

Em vídeos publicados nos stories do Instagram na tarde desta quinta-feira, Poze afirmou que a adolescente teria dito ser maior de idade quando esteve em sua residência e classificou a denúncia como "fake news".

"Brotou falando que era de maior", disse o funkeiro. Ele também afirmou que manteve contato com a jovem após o encontro, mas que posteriormente decidiu bloqueá-la.

O cantor compartilhou ainda um vídeo de uma chamada em que uma mulher conversa com uma jovem, apresentada como sendo a adolescente envolvida no caso. Na gravação, a jovem afirma que foi bem tratada pelo artista e que disse a ele ser maior de idade. "Lógico que não, cara. Ele me tratou bem, tinham três meninas lá. Ele conversou comigo normal", afirma, ao ser questionada sobre um possível abuso.

Não foi possível confirmar de forma independente a identidade da jovem que aparece na gravação, nem quando e em quais circunstâncias o diálogo ocorreu. O vídeo divulgado pelo cantor é interrompido antes do fim da conversa.

Poze afirmou que a gravação foi feita meses atrás, quando a mãe da adolescente teria feito acusações contra ele nas redes sociais. "A mina mesmo veio e desmentiu tudo", disse. O funkeiro afirmou ainda que o caso deverá ser esclarecido pelas autoridades. "Tudo que nós fala pode virar contra nós. E nós certo pode sair como errado."

A adolescente passou por exames no IML (Instituto Médico Legal), e a defesa pediu medidas protetivas contra o funkeiro.

Em nota, a Polícia Civil informou que os suspeitos serão intimados a prestar depoimento na delegacia especializada e que há diligências em andamento para esclarecer os fatos.

MC Poze responde em liberdade a um processo por tortura e cárcere privado.

Em 2019, foi preso sob suspeita de apologia ao crime durante um baile funk em Mato Grosso. Em 2024, foi alvo de uma operação contra sorteios ilegais. No ano seguinte, acabou preso sob suspeita de associação ao tráfico de drogas. Em abril deste ano, a PF (Polícia Federal) o deteve em investigação sobre lavagem de dinheiro do Comando Vermelho.

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