APÓS OPERAÇÃO

Milton Leite é transferido após denúncias de regalias na prisão

da Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo/Agência Brasil
Há um mês, Leite foi preso por suspeitas de participar de um esquema de infiltração do crime organizado em empresas de ônibus que prestam serviço público
Há um mês, Leite foi preso por suspeitas de participar de um esquema de infiltração do crime organizado em empresas de ônibus que prestam serviço público

O ex-vereador Milton Leite (União-Brasil) foi transferido para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, na Grande São Paulo, na manhã deste terça-feira (2). A transferência ocorre quatro dias depois de uma operação apontar suspeitas de regalias para o ex-presidente Câmara Municipal de São Paulo.

Leite estava preso na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, também na região metropolitana. Há um mês, Leite foi preso por suspeitas de participar de um esquema de infiltração do crime organizado em empresas de ônibus que prestam serviço público.

Na última sexta-feira (16), uma operação do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e da Corregedoria da Polícia Civil apreendeu R$ 155 mil e cerca de U$ 10 mil (R$ 50,7 mil) com um carcereiro suspeito de ajudar o ex-vereador com regalias na prisão.

Também foram realizadas buscas no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes e em uma residência na cidade. O carcereiro não foi identificado.

Dois celulares foram encontrados na cela do político.

No sábado, além do carcereiro, a Polícia Civil afastou três delegados e um investigador.

Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), os policiais atuam na Seccional da Polícia Civil do município da Grande São Paulo.

A Folha de S.Paulo apurou que entre os afastados estão a delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarete Barreto, e o delegado titular do 1º DP da cidade.

Ela disse estar com a consciência tranquila e confiar que a verdade será esclarecida. Ela afirmou que esteve em férias, pois fez duas cirurgias.

No período em que ficou em Mogi, Milton Leite recebeu políticos e tratou de articulações partidárias na cadeia pública de Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo.

O advogado Aloísio Medeiros, que defende o ex-vereador, disse neste domingo que, nas ocasiões que esteve com o cliente na cadeia pública, observou que havia "rigidez e o regramento próprios do sistema carcerário".

"Acredito que na absoluta ausência de elementos que justifiquem a manutenção da prisão temporária de Milton Leite, há uma tendência ao exagero", afirmou. Disse também que nunca se deparou com nenhum político quando esteve no local.

Visitas

No domingo (18), o deputado estadual Delegado Olim (PP) afirmou à Folha que visitou Leite na cadeia após o primeiro turno das eleições, que ocorreu há duas semanas, para tratar de articulações da federação partidária União Brasil-PP.

Olim pretende assumir a liderança do grupo na Assembleia Legislativa de São Paulo a partir de fevereiro, quando começa a nova legislatura. O ex-vereador é presidente do diretório municipal do União Brasil e tesoureiro da executiva estadual, cargos que preservou após a prisão temporária.

Além disso é copresidente da federação partidária em âmbito estadual, motivo pelo qual seu aval é necessário para a aprovação da liderança na Assembleia.

"Fui lá estritamente para quê? Para pegar o partido dele, que agora é meu, porque eu quero ser o líder da federação dia 2 de fevereiro", disse Olim à Folha de S.Paulo. "Ele já determinou que o pessoal viesse comigo, que o filho dele perdeu, né? E eu fui lá para fazer isso e acertei, fiquei lá uns 30 minutos e fui embora."

A reunião entre os dois ocorreu em uma sala de visitas do edifício, ele contou. O deputado afirmou ter conhecimento que dezenas de deputados já visitaram Leite na cadeia pública no último mês, embora não tenha citado nenhum nome.

Ele também teria recebido a visita de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL --partido que abriga o clã Bolsonaro. Segundo reportagem do site G1, os nomes de Valdemar e Olim foram citados no depoimento da delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarete Barreto, que está entre os cinco policiais afastados por suspeitas de permitir regalias ao ex-vereador na cadeia.

O presidente do PL estaria acompanhado da esposa, que é advogada. Olim afirmou que foi ao local um dia depois da visita de Valdemar.

A Folha procurou tanto o presidente do PL quanto sua esposa por telefonemas e aplicativos de mensagem na tarde deste domingo (18), mas não recebeu resposta.

Investigação

Leite foi preso no âmbito da operação Vectura Corrupta, que mira a infiltração da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte coletivo de ônibus da capital paulista, deflagrada em setembro. Ele nega qualquer crime.

Os investigadores da operação apontam haver indícios de que Leite seria o verdadeiro dono da Transwolff, empresa que gerenciou durante anos linhas de ônibus da capital paulista e cujo contrato foi rompido pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) por suspeitas de envolvimento com o PCC.

O pedido contra o ex-vereador se baseou em duas circunstâncias em que seu nome foi mencionado por terceiros. O nome dele aparece em um áudio encontrado em aparelho celular apreendido e nos depoimentos de policiais prestados à Corregedoria da Polícia Militar.

As duas citações a Milton tratam de supostas conexões dele com as empresas que foram alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024, que mira a infiltração da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte coletivo de ônibus da cidade de São Paulo.

Nenhuma outra prova contra ele, como pagamentos ou vínculos societários com as empresas ou pessoas investigadas, aparece nas representações da polícia e da Promotoria.

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