NA TURQUIA

Brasileiro morre dentro de centro de detenção para imigrantes

Por Bárbara Sá | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
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Lucas Nascimento de Medeiros teria sido detido por estar alterado ao chegar ao Aeroporto de Istambul
Lucas Nascimento de Medeiros teria sido detido por estar alterado ao chegar ao Aeroporto de Istambul

Um empresário brasileiro morreu sob custódia em um centro de detenção migratória na Turquia, afirma a família dele. Lucas Nascimento de Medeiros, 33, aguardava no local para ser deportado.

A advogada Isis Nascimento de Medeiros, irmã mais velha do empresário, chegou à cidade turca de Esmirna nesta quarta-feira (14) acompanhada do marido para buscar esclarecimentos sobre o caso e organizar o retorno do corpo ao Brasil.

Segundo um advogado local contratado pela família, o empresário teria chegado alterado ao aeroporto de Istambul e tentado escalar uma cerca de segurança do terminal. Detido pela polícia, foi transferido para o centro de detenção migratória de Harmandal, em Esmirna, a cerca de cinco horas de distância.

Na unidade, Lucas teria sido colocado em uma cela com outros três detentos. Embora falasse inglês, ele não conseguia se comunicar com os colegas de cela, segundo os relatos repassados à família. A nova versão indica que o empresário teria tentado suicídio no banheiro do centro. Ele chegou a ser socorrido, morreu a caminho do hospital.

A família ainda não teve acesso aos laudos periciais nem aos documentos oficiais da investigação que confirmem essa sequência de eventos.

Inicialmente, os familiares tinham sido avisados que Lucas teria morrido após se envolver em uma briga por motivos religiosos. Mas essa versão foi descartada pelo advogado contratado.

Natural de Natal (RN), o empresário morava na cidade do Porto, em Portugal. Documentos apresentados à Folha de S.Paulo mostram que, em 9 de outubro, familiares já tentavam localizá-lo e alertavam autoridades sobre a possibilidade de o empresário estar em surto de saúde mental.

O último contato direto com a família ocorreu em 8 de outubro, segundo boletim de ocorrência registrado por outro irmão, João Marcos Nascimento de Medeiros, em uma delegacia na Lapa, zona oeste de São Paulo.

Lucas havia informado que retornaria ao Brasil, mas não desembarcou no voo previsto para o Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, em 12 de outubro.

Antes de viajar à Turquia, Isis relatou que a família enviou um email ao Consulado-Geral do Brasil em Istambul alertando sobre a vulnerabilidade do empresário. Ela disse suspeitar que ele possa ter sido vítima de maus-tratos ou tortura e planeja acionar entidades de direitos humanos.

Isis disse ainda que a famíia tem enfrentado entraves burocráticos para liberar o corpo, incluindo a alegação de autoridades locais de que uma mulher não poderia realizar os procedimentos formais de reconhecimento.

O advogado turco contratado pela família tenta liberar o traslado mediante autorização de outro irmão e exames de DNA.

"Meu único medo é deixar meu irmão aqui. Ele tem que voltar ao país dele, e só no Brasil eu acredito que teremos apoio de verdade e saber a causa da morte", diz Isis.

A irmã afirma ainda que recebeu apoio logístico do consulado do Brasil em Istambul, que disponibilizou motorista e tradutor para acompanhar os trâmites.

Procurado, o consulado disse por email que o Ministério das Relações Exteriores tem conhecimento do caso, mantém contato com a família e presta assistência consular.

A Folha de S.Paulo também solicitou informações à assessoria de imprensa do Itamaraty e ao consulado da Turquia em São Paulo, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

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