Entenda o Ideb, índice que mede a qualidade da educação no Brasil
Divulgado nesta quarta-feira (5) pelo governo federal, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) é um indicador que mede a qualidade do aprendizado no Brasil.
Elaborado pelo Inep, instituto ligado ao MEC (Ministério da Educação), o Ideb combina dados de aprendizagem e fluxo escolar para medir o desempenho de escolas, municípios, estados e do país todo.
A seguir, entenda o que é o Ideb, como ele é calculado e outros tópicos sobre o tema.
O QUE É O IDEB?
Criado em 2007, o índice serve de base para o monitoramento de políticas públicas voltadas à educação. O indicador é divulgado a cada dois anos com resultados referentes às seguintes etapas:
- Anos iniciais do ensino fundamental (5º ano)
- Anos finais do ensino fundamental (9º ano)
- Final do ensino médio (3º ano)
COMO A NOTA É CALCULADA?
O Ideb reúne dois componentes:
- Desempenho dos estudantes nas avaliações do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), uma prova que avalia conhecimentos de língua portuguesa e matemática
- Taxas de aprovação dos alunos
A combinação desses fatores gera uma nota que varia de 0 a 10 para cada escola, município, estado e para o país.
AINDA EXISTEM METAS PARA O INDICADOR?
Sim, mas apenas até 2021. Quando foi criado, o Ideb definiu metas nacionais e individuais para escolas e redes de ensino, visando elevar a qualidade da educação básica.
A expectativa era que o país alcançasse média igual ou superior a seis nos anos iniciais do ensino fundamental, 5,5 nos anos finais e 5,2 no ensino médio.
Como essas metas não foram atualizadas após o fim do ciclo previsto, os resultados mais recentes do indicador deixaram de contar com parâmetros oficiais de comparação.
POR QUE O IDEB É ALVO DE CRÍTICAS?
Embora seja a principal referência para medir a qualidade da educação básica no país, o Ideb é alvo de questionamentos entre especialistas.
Uma das principais críticas é que o índice resume informações complexas em uma única nota, o que dificulta identificar as principais dificuldades de aprendizagem dos estudantes e reduz sua utilidade para orientar o trabalho pedagógico de professores e gestores.
Também há avaliações de que tanto as metas quanto os critérios que o Saeb adotou estão defasados e precisam ser atualizados para refletir as competências e habilidades consideradas essenciais na educação atual.
Outro ponto citado é que o modelo de cálculo não esclarece as desigualdades educacionais entre diferentes grupos de estudantes. Por isso, especialistas afirmam que ele pode incentivar redes de ensino a concentrar esforços na melhora do indicador, sem necessariamente enfrentar os desafios, e até levar à exclusão de estudantes com mais dificuldade.