ASSASSINATO

Disputa por herança antecedeu homicídio no Centro de Araçatuba

Por Wesley Pedrosa | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Redes sociais
Disputa por herança é apontada como origem de homicídio no Centro de Araçatuba
Disputa por herança é apontada como origem de homicídio no Centro de Araçatuba

A investigação sobre a morte de José Roberto Nunes, de 55 anos, ocorrida na manhã de terça-feira (4), na Praça Rui Barbosa, no Centro de Araçatuba, começou a esclarecer os primeiros elementos da dinâmica do crime. O guarda civil municipal de 60 anos, foi preso em flagrante por homicídio qualificado por motivo fútil e permaneceu à disposição da Justiça após ter a prisão ratificada pela Polícia Civil. O motivo seria disputa por herança.

O caso, que provocou grande repercussão pela ocorrência em uma das regiões mais movimentadas da cidade e pelo fato de envolver um agente de segurança pública, ganhou novos contornos com o registro do boletim de ocorrência elaborado pelo Plantão Policial. 

Segundo o boletim, equipes da Guarda Civil Municipal realizavam fiscalização de trânsito na Praça Rui Barbosa quando ouviram, em sequência, dois disparos de arma de fogo. Ao mesmo tempo, populares passaram a gritar alertando sobre os tiros, fazendo com que os guardas corressem em direção ao local da ocorrência.

Ao chegarem próximo à lateral da agência do Banco do Brasil, os agentes encontraram o GCM em pé, vestido com roupas civis e sem portar qualquer objeto nas mãos. Poucos metros adiante estava José Roberto Nunes caído ao solo, já gravemente ferido.

Os guardas verificaram que a vítima ainda apresentava sinais vitais e foi iniciado o atendimento emergencial. Uma enfermeira e um homem que afirmou possuir treinamento em primeiros socorros também prestaram auxílio até a chegada da equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Apesar dos esforços, José Roberto não resistiu aos ferimentos.

Durante o atendimento, os agentes recolheram a arma utilizada na ocorrência, enquanto policiais militares preservavam o local para o trabalho da perícia. Também foram localizadas duas cápsulas deflagradas, posteriormente recolhidas pela Polícia Científica para exames periciais.

De acordo com o boletim, o acusado era comandante de plantão da Guarda Civil Municipal, mas encontrava-se de folga no momento dos fatos. Ainda no local, ele informou aos colegas que vinha sendo ameaçado pela vítima e afirmou que havia sido interceptado pouco antes dos disparos.

Na versão apresentada aos agentes, o guarda declarou que José Roberto levou uma das mãos ao bolso durante a abordagem, situação que interpretou como risco iminente. Diante disso, disse ter sacado sua arma e efetuado dois disparos para se defender. Essa narrativa passou a integrar a investigação e deverá ser confrontada com os demais elementos reunidos pela Polícia Civil.

As investigações também revelaram que vítima e autor possuíam vínculo familiar. Conforme consta no boletim de ocorrência, José Roberto era filho da madrasta do Guarda, circunstância que, para a autoridade policial, indica que o episódio teria sido motivado por desentendimentos familiares e não possui relação com as atividades exercidas pelo guarda na corporação.

Apesar da alegação de legítima defesa apresentada pelo investigado, a autoridade policial entendeu que havia elementos suficientes para a prisão em flagrante. O guarda foi autuado por homicídio qualificado por motivo fútil, previsto no artigo 121, parágrafo 2º, inciso II, do Código Penal, permanecendo preso à disposição da Justiça.

Durante o interrogatório formal, acompanhado por seus advogados, o guarda reiterou que agiu para preservar a própria integridade física. Segundo seu relato, o primeiro disparo teria sido de advertência e não atingiu José Roberto. Já o segundo, afirmou, acertou a região do ombro da vítima, sem intenção de provocar sua morte.

A arma utilizada era uma pistola calibre 9 milímetros, registrada em nome do próprio guarda e com porte válido, segundo a documentação apresentada à Polícia Civil. O armamento, o carregador e as munições foram apreendidos e encaminhados para exames periciais no Instituto de Criminalística.

A família da vítima também compareceu ao Plantão Policial. Uma representante apresentou a documentação emitida pela Santa Casa comprovando o óbito de José Roberto Nunes e entregou documentos pessoais que permitiram sua identificação oficial. Também foi expedida requisição para exames necroscópico e toxicológico no Instituto Médico Legal (IML).

Paralelamente ao procedimento criminal, a Prefeitura de Araçatuba já havia informado, ainda na terça-feira, a instauração de procedimento administrativo disciplinar na Corregedoria da Guarda Civil Municipal para apurar a conduta funcional do servidor. O município afirmou que colaborará integralmente com as investigações conduzidas pela Polícia Civil.

A apuração criminal seguirá agora com a coleta de novos depoimentos, análise das imagens de câmeras de segurança da região central e conclusão dos laudos periciais. Esses elementos serão fundamentais para esclarecer a dinâmica completa da ocorrência e verificar se a alegação de legítima defesa encontra respaldo nas provas produzidas durante o inquérito.

Comentários

Comentários