Ferroviários decidem manter greve em SP por tempo indeterminado
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil decidiu manter a greve das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) durante assembleia geral na noite desta terça-feira (4).
A paralisação é por prazo indeterminado até que o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) apresente compromisso formal de que manterá todos os trabalhadores durante concessão dos ramais. Nova assembleia foi convocada para as 17h desta quarta-feira (5).
Por nota, o governo afirmou ter assumido o compromisso de não fazer demissões durante o período de realocação de funcionários da companhia, assim como disse ter apresentado propostas concretas.
"A manutenção dos empregos foi garantida e comunicada ao sindicato na véspera da paralisação. Ao contrário do que alega a entidade, não há demissões em curso, o que torna sem fundamento a motivação trabalhista da greve", completou.
Por sua vez, sindicato pede a garantia formal da manutenção dos empregos. "O Governo do Estado ainda não apresentou uma garantia concreta por escrito, de manutenção dos empregos de todos os trabalhadores da CPTM, principal reivindicação", apontou.
O governo retomou o controle temporariamente das três linhas no fim de julho. A medida ocorreu após falhas no sistema elétrico, incêndio em vagão e outros problemas. A operação era de responsabilidade da concessionária Trivia Trens.
O funcionamento das três linhas de trem ocorriam de forma parcial no fim da tarde desta terça, segundo a CPTM. A operação abrange os seguintes trechos:
- linha 11-coral: entre estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases;
- linha 12-safira: entre estações Brás e Engenheiro Goulart;
- linha 13-jade: todas as estações, com velocidade reduzida;
- Expresso Aeroporto: operação paralisada.
O sistema Paese foi acionado. É voltado a atender passageiros dos trechos afetados do extremo leste da capital paulista e de municípios da região metropolitana, como Ferraz de Vasconcelos, Poá e Mogi das Cruzes.
Uma das pautas dos ferroviários é a aprovação do projeto de lei estadual 730/2025. A proposta permite a absorção dos trabalhadores da CPTM por órgãos ou entidades da administração pública direta ou indireta no caso de concessão, permissões ou PPP (Parceria Público-Privada).
O tema foi tratado pelo presidente do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo, Eluiz Alves de Matos, em reunião com deputados na Assembleia Legislativa de São Paulo nesta terça. Pela manhã, houve superlotação e atrasos no transporte de trabalhadores.
O rodízio de automóveis na cidade de São Paulo está suspenso por causa da greve. Somadas, as três linhas transportaram 786,5 mil passageiros em dias úteis, segundo dados de junho.
O leilão das linhas 11, 12 e 13 ocorreu em março de 2025. A concessão é por 25 anos e prevê a construção de estações e extensões das linhas, com R$ 14,3 bilhões em investimentos.