Mensagens extraídas de um celular funcional da Polícia Civil de Sorriso (MT) levantaram suspeitas de abusos contra detentas e de outras práticas ilegais envolvendo policiais da unidade. O material, com textos e áudios, circulou em dezembro em um grupo institucional de WhatsApp ao qual o G1 teve acesso.
As conversas constam no grupo “DHPP/Assuntos Oficiais”, referência à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa. Um print de 6 de novembro mostra comentários que sugerem violência sexual contra uma detenta, com reação de surpresa de outro integrante.
A Polícia Civil afirma que o aparelho foi furtado em outubro e sustenta que mensagens foram apagadas ou editadas. No entanto, análise técnica do G1 com a ferramenta Foto Forensics apontou que não há indícios de adulteração nas capturas de tela.
No mesmo período, uma mulher presa na delegacia relatou ter sido estuprada por um investigador, que foi indiciado nessa sexta-feira (6) por estupro e abuso de autoridade. A corporação informou que vai apurar a autenticidade das mensagens e eventuais desvios, afirmando que “as mensagens de conversa que constam no aparelho celular, se verdadeiras, não têm nenhuma relação com o caso de estupro”.
Ainda conforme o G1, grupo de advogados formalizou denúncia na Corregedoria Geral da Polícia Civil, que confirmou o recebimento do material. A OAB-MT solicitou providências, e o Ministério Público disse não ter recebido denúncia formal até o momento.

Imagem obtida pelo G1