CONTRA PL

Manifestantes fazem ato na paulista contra PL antiaborto

Por Andreza de Oliveira | da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Paulo Pinto/Agencia Brasil
PL 1904 equipara a punição de abortos realizados após as 22 semanas de gestação em casos de estupro a pena por homicídio
PL 1904 equipara a punição de abortos realizados após as 22 semanas de gestação em casos de estupro a pena por homicídio

Sob gritos como "criança não é mãe" e "estuprador não é pai", manifestantes se reuniram na noite desta quarta-feira (12), na avenida Paulista, região central de São Paulo, para protestar contra o PL 1904, que equipara a punição de abortos realizados após as 22 semanas de gestação em casos de estupro a pena por homicídio simples, inclusive para os médicos.

O PL, que teve a urgência aprovada na Câmara dos Deputados na quarta-feira (12), é de autoria do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e quer alterar artigos do Código Penal que preveem exclusão de punibilidade, previsto em um trecho que define que aborto não é punido em casos de estupro e risco à vida da mãe. O texto, da década de 1940, não define tempo máximo para a interrupção.

Hoje, o aborto só é permitido em três situações, que são gestação decorrente de estupro, risco à vida da mulher e anencefalia fetal. Os dois primeiros estão previsto no Código Penal e o último foi permitido via decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) em 2012. Não há limite da idade gestacional para a realização do procedimento em nenhum desses cenários.

Caso o PL seja aprovado, porém, a pena poderia chegar a 20 anos para mulheres que realizam o procedimento em caso de estupro, mais tempo do que a pena prevista para o estupro em si.

Segundo o coletivo Juntas, vinculado ao PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), a manifestação foi convocada hoje. Ela começou no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo) e se estendeu por cerca de dois quarteirões. A Polícia Militar não divulgou dados oficiais de quantas pessoas estavam no ato até o fechamento deste texto.

O público era composto majoritariamente por mulheres e incluía algumas crianças.

"É um absurdo completo esse PL e acho que todo mundo deveria estar aqui na rua hoje para defender a vida das mulheres", diz a editora Luiza Marques, presente na manifestação.

Integrante do Juntas, Rebeca Meyer, diz que é importante que as pessoas estejam na rua para mostrarem o descontentamento do PL. "Muitas pessoas descobrem só depois das 22 semanas que estão gravidas porque não sabem e não tem nem corpo para isso", diz.

O coletivo pedia por políticas públicas de educação sexual nas escolas e pela saída do deputado e presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

Massoterapeuta, Heloisa Freire saía do trabalho quando se deparou com o movimento e decidiu participar.

"Acho que se a gente não se manifestar, não temos visibilidade. Eu estou aqui não só por mim, mas pela minha filha que vai fazer três anos e por todas as mulheres", afirma Freire.

Comentários

1 Comentários

  • Freitas 14/06/2024
    Bebês com 22 semanas podem viver fora do útero graças aos avanços da medicina. A mulher que passar por um procedimento de aborto, vai parir a criança de qualquer jeito, esquartejada ou morta e inteira, ou viva. As pessoas vendem a ideia de que o aborto é uma coisa mágica, que a mulher apenas se livra do \"hospedeiro\". A realidade é outra: independentemente do método escolhido para remover a criança, ela vai ter que sair do corpo da mulher, ela não se teletransportará para fora do útero magicamente. A partir deste fato, que a mulher vai passar por um parto, se a criança tem idade gestacional para sobreviver, faça um parto adiantado ao invés de assassiná-la e ofereçam para doação. É só usar os neurônios, gente. Não é tão difícil assim.