Mesmo com uma pequena produção de pêssego em Jundiaí, agricultores continuam investindo no fruto que está no início da safra, porém já adiantam que a colheita não será a mesma do ano passado e o clima foi um dos fatores.
Segundo adianta o gestor de Agronegócio, Abastecimento e Turismo (UGAAT) de Jundiaí, Eduardo Alvarez, embora o ano tenha sido atípico por conta da covid-19, da crise econômica e da inflação de alguns alimentos, o que mudou neste ano e pode influenciar a safra é o clima.
“A pandemia não tem nada a ver com a safra. Os agricultores continuam trabalhando no campo, que é isolado. O pessoal da agricultura também ficou trabalhando para que as pessoas pudessem ficar em casa”, diz, ao lembrar que a safra vai até novembro.
Com um inverno quente, a floração do pessegueiro, dependente do frio, acaba sendo prejudicada. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a grande maioria das espécies de pessegueiro, em regiões de clima temperado, requer de 600 a 1000 horas de frio para florescer normalmente. São conhecidas espécies que necessitam de menos de 100 horas de frio, mas, ainda assim, é preciso que as temperaturas sejam baixas.
O produtor Rafael Michelin diz que percebe menos frutos na safra deste ano justamente por conta do clima, mas espera que os pêssegos sejam maiores. “Vamos começar a colher na próxima semana. Em comparação com o ano passado tem menos frutas no pé. Não teve frio e isso interfere na formação da flor porque o pêssego é fruta de clima mais frio. Tem menos fruta, mas esperamos tirar o fruto maior, justamente porque tem menos na árvore, então geralmente desenvolve melhor”, diz ele sobre a possibilidade de ter a valorização da produção com os frutos maiores.
Apesar de não falar ainda em preço, reforça o mercado está melhor que o do ano passado. “Ainda não sabemos se vai continuar ou se é porque ainda está no começo da safra. Para o Ceasa a gente procura mandar o mínimo possível. Para agregar valor, prefiro vender direto em mercearias e frutarias. Tem clientes mais velhos que vêm buscar aqui também e agora tem o delivery”, conta ele sobre o escoamento da produção deste ano.
EXPECTATIVA
Ainda de acordo com o gestor Eduardo Alvarez, em Jundiaí a produção não é grande porque é necessário grandes áreas e os produtores preferem intercalar com outras produções. “Geralmente quem trabalha com pêssego por aqui também tem outra cultura na propriedade, como uva, caqui e poncã. Porém, em função do espaçamento, quem planta pêssego geralmente não tem áreas tão pequenas assim”, explica ele.
Também produtor de pêssego em Jundiaí, Fabiano Tofanin acredita em lucro para este ano. “Já estamos colhendo e neste ano deu um pouco mais do que no ano passado, acho que por causa do clima. Não acredito que o preço esteja muito diferente do ano passado. Talvez seja um pouco mais baixo, mas acho que vai manter o dos anos anteriores”, conta ele, que costuma escoar a produção diretamente para o Ceasa de Jundiaí, já que a venda na porta acontece em sua propriedade, mas não é expressiva.
Alguns agricultores pelo site abastecimento.jundiai.sp.gov.br/produtor-rural.